Chico Buarque – Brasil
( 1944 – )
TANTO MAR
Sei que está em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar. navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
Conhecido cantor, compositor e escritor. Trocou o curso de Arquitectura pela música popular, da qual se tornou figura destacada quando, em 1966, com “A Banda”, venceu o II Festival de MPB em São Paulo. Muitas das suas canções nascem como poemas, de que se podem destacar, entre tantos, “Construção”, “Fado Tropical”, “Valsinha” ou “Tanto mar”, textos indissociáveis da música mas que podem ser apreciados autonomamente como poemas. É ainda autor de “A ópera do malandro” (1978), sob o signo de John Gay e de Brecht.

