AS CRIANÇAS QUE NÃO QUEREM CRESCER por clara castilho

O menino que não queria crescer mais conhecido é Peter Pan, personagem da história de James Matthew Barrie, no livro “Peter Pan in the Kensington Gardens”, de 1904.

Peter Pan  estava convencido que os bebés antes de nascer eram pássaros e que ele próprio poderia ainda voar e foi por isso que saiu sem hesitar pela janela.

Uma das condições necessárias para que uma criança possa viver plenamente a sua infância e deixá-la um dia, para poder crescer, é ter uma mãe que permita ao seu filho tomar suficiente confiança em si próprio para crer que poderá sair e voltar e ficar a ganhar.  E Peter Pan queria saber que a mãe o esperava para lá da janela aberta, com os olhos postos nele. No que ele não acreditava “ porque ouvi o meu pai e a minha mãe a decidir no que eu me tornaria quando fosse grande. Mas eu quero ficar um rapazinho e divertir-me”, explicou ele a Wendy.

E porquê a “Terra do Nunca”? Peter Pan explica: “ Algumas pessoas conheceram também o país do Nunca durante a noite mas preferem esquecê-lo. Outras, voltam lá com prazer para reencontrar a infância que deixaram, sem cuja recordação é difícil continuar a viver…”

O papel da necessidade de uma mãe é essencial. Peter anda sempre à procura dela, Wendy como que vai preencher esse lugar e o Capitão Gancho só consegue fazer mal às crianças porque lhes falta uma mãe . Diz ele: “É o fim , estas crianças encontraram uma mãe!” (Wendy). De realçar que na Terra do Nunca o jogo preferido das crianças é brincar aos pais e às mães.

A personagem do Capitão Gancho, o chefe dos piratas, é o reverso de uma única e só, a de Peter Pan  que não tem idade pois “escapou-se no dia do seu nascimento”.

Este desejo de não crescer deu origem à criação, por Dan Liley, do termo “síndrome de Peter Pan”, no seu livro “ The Peter Pan syndrome: men who have never grown up”. No entanto, não consta como um “transtorno mental” no DSM IV (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais).

Mas conheço tantos meninos que não querem crescer… E é que ficam mesmo pequeninos fisicamente. Com dez anos, por exemplo, têm um corpinho de sete.  E continuam a dizer que gostavam de parar o tempo, que crescer é difícil e dói muito. Podemos aninhá-los nos braços, podemos apontar caminhos, não podemos reparar totalmente as falhas básicas das suas vidas.

*ilustrações de Arthur Racham

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