SETE NUVENS NEGRAS SOBRE O MUNDO, SOBRE A EUROPA NESTE FIM DE VERÃO, NESTE PRINCÍPIO DE OUTONO DE 2012.

Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota

Introdução e primeira nuvem

Sete nuvens negras que pairam sobre a Europa, sobre o mundo a poder tornar este nosso Inverno demasiado frio, demasiado incómodo, o Inverno do nosso profundo descontentamento. Sete nuvens bem negras que se sentem a confluirmos e a marcar a possibilidade de fortes e prolongadas tempestades neste nosso Inverno que nós  assim não queremos, sete nuvens bem negras que só os ventos da liberdade, da dignidade, da responsabilidade poderão fazer desaparecer, se a máquina da História que os povos conduzem os conseguir produzir. Mas essa máquina somos  nós todos.

Trata-se aqui de um texto produzido a partir basicamente de um outro, o de Fabius Maximus, (O que é que não lhe está a ser dito sobre a economia mundial mas que deve saber) que mantemos na integra e sobre o qual efectuámos alguns desenvolvimentos, em particular sobre a China e sobre a Europa. O texto de Fabius mantém-se todo ele, a começar pela sua própria introdução.

Na elaboração do presente trabalho procurámos alguns textos de um importante estratega financeiro do banco Société Générale, Albert Edwards. Dada a inacessibilidade de alguns dos seus textos, opiniões enviadas a  clientes privilegiados, de que havia apenas citações importantes dispersas em textos escritos por vários outros analistas, solicitámos o seu apoio directamente mas a sua resposta, se bem que muito útil, resumiu-se à seguinte posição:

“Thank you for your kind mail. Unfortunately we are now ruled by compliance and they say that only Soc Gen institutional clients can be put on our mailing list. Zero hedge usually writes up Dylan and my notes so that is probably the best place to find them. Apologies for that”.

Os textos de referência de Albert Edwards obtiveram-se e isto era o importante e o nosso trabalho depois de tudo isto, aqui está. Boa leitura, portanto.

 

Júlio Marques Mota

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Nuvens negras sobre o mundo, sobre a Europa neste fim de Verão, princípio de Outono, de 2012.

Introdução

A chave secreta para a  grande previsão recorde do nosso site fabiusmaximus.com/  é  de que  nós fazemos apenas as  coisas que nos  são óbvias e  não estipulamos nenhuma data.  Tal como o longo período  de estabilidade da economia mundial, a ser seguido com muita ansiedade. Nós voltaremos a esta questão novamente, mostrando que quase nada aconteceu ainda na economia global. Todo o Sturm und Drang, situação de violenta perturbação e de grande desordem social, de que se fala  nos media  é exagerado. Há apenas um novo desenvolvimento, e este não recebeu  a  atenção  devida.

Sumário

  1. Um olhar sobre o mundo, recorrendo ao Indice Avançado  da OCDE
  1. O desemprego nos Estados Unidos
  2. Europa: lento declínio, de forma consistente
  3. A nova política do BCE: não é uma atitude de mudança
  4. A nova política do FED:  não é decididamente uma atitude de  mudança
  5. O novo elemento  que  afecta a economia global
  6. Uma nova ameaça na já grande desordem desta pobre Europa e do Mundo

 

(1)    Um olhar sobre o mundo, utilizando o Indicador Avançado  da OCDE

O indicador avançado compósito da OCDE  é um dos  melhores e mais importante indicadores económicos . Como assinala a OCDE:  Os economistas utilizam  diversas ferramentas para compreender as tendências de curto e médio prazo na atividade económica. Uma dessas ferramentas desenvolvida no âmbito do OCDE é a série de indicadores principais compósitos, que antecipa os pontos de viragem do ciclo de actividade económica  de seis a nove meses antes que eles ocorram. Veja-se o site da OCDE:  www.oecd.org/std/cli.

              OECD´sComposite Leading Indicator

 Talvez seja mesmo o indicador mais  fiável, mas também  publicado  com o maior atraso (ontem publicaram os valores de Julho ). Tem estado  estável desde há muito tempo. Durante os últimos 24 meses, o pico foi de 101,1 em Fevereiro de 2011, com um valor  de 100,0 em Outubro de 2011 e agora, Julho de 2012, é de  é 100,2.

Para estas mesmas datas  e para Portugal o índice foi respectivamente de 102,5; 99,2; 98,5.

O relatório de Julho contínua a caracterizar a situação geral como  estável. A tensão aumenta em todo o mundo, mas até agora aqui permanece contida:

 • O índice compósito de indicadores concebidos para antecipar pontos de mudança, ou seja pontos de viragem  da actividade económica em relação à tendência, mostra uma  perda de dinamismo  que provavelmente deve  continuar nos  próximos trimestres nas economias mais importantes dos membros e não membros da OCDE  .

 • Na Itália, China, Índia e Rússia, o índice da OCDE  continua a indicar  para uma desaceleração da respectiva economia. Para a Zona Euro, a França, a Alemanha  o respectivo  indicador  continua  a indicar um crescimento continuado mas fraco  .

 • Os indicadores   para o Japão e para os Estados Unidos mostram sinais de moderação do crescimento acima da tendência, enquanto no Canadá o indicador  continua  a apontar para um crescimento moderado abaixo  da tendência .

 • Os indicadores para o Reino Unido e Brasil timidamente apontam  para um pequeno salto  no crescimento mas permanecem  abaixo de tendência.

Os indicadores  da OCDE  de Development Centre’s Asian Business Cycle Indicators (ABCIs) sugerem que as economias da ASEAN mostram uma resistência global, apesar de alguns sinais de enfraquecimento começarem a ser observados .

No fundo, tudo está bem no mundo da OCDE como no mundo de Pangloss. Outra coisa não seria de esperar, pois a OCDE em vez de ser a grande Organização Internacional de que me falavam nos meus tempos de estudante nada mais é do que um think tank pago pelos governos à OCDE pertencentes para debitar o discurso para à qual a financiam e por eles sempre bem escrutinados. Radical, eu? Vejam só, por exemplo,   a fachada que  a OCDE organizou à volta dos paraísos fiscais e dos seus protocolos de tal modo que agora, pelas regras estabelecidas pela OCDE,  praticamente já não há paraísos  fiscais. Mas digam-me então  quantos são os protocolos assinados com os paraísos fiscais que garantam informação automática  aos países signatários e atingidos pelas fraudes e pela evasão fiscal? Ao contrário e em vez deste mecanismo de troca automática de informações, talvez nos reste os protocolos curiosos assinados pela Inglaterra, Alemanha, Portugal e outros com a Suíça, a lembrar o quebra-cabeças Rubik, o protocolo Rubik que garante a opacidade total! E tudo continua a ir bem no mundo visto pela  OCDE, então.

(continua)

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