EM VIAGEM PELA TURQUIA – 22 – por António Gomes Marques

No interior destas capelas e mosteiros podemos admirar os maravilhosos frescos bizantinos com cenas da vida de Cristo e também retratando episódios relacionados com os santos, como também cenas do Antigo Testamento. Vejam-se as fotografias seguintes:

Outras poderiam ser mostradas, mas as que reproduzimos parecem-nos ser bem demonstrativas do que escrevemos e que bem justificam o facto de a UNESCO ter declarado o vale de Göreme Património Mundial da Humanidade.

Depois de almoço, passámos pelo vale de Avcilar, com mais habitações trogloditas e mais chaminés encantadas, e também por um centro de artesanato onde apreciámos pedras semi-preciosas assim como os maravilhosos tapetes, actividades que têm uma particular tradição na Capadócia.

Após o jantar, uma outra tradição nos aguardava: o espantoso e único espectáculo proporcionado pelos «Derviches Dançantes» ou «Derviches Rodopiantes», dança esta que também é conhecida como a «Ordem de Mevlevi».

Derviches Dançantes: Avanos – Nevşehir (cópia de postal)

Mevlâna Celaletim Rumi, de quem falámos no capítulo anterior, desenvolveu a teoria de que, com a ajuda da música e da dança, os seres humanos podem alcançar um estado de êxtase que os leva a libertarem-se da dor da vida quotidiana, transformando-os em seres cheios de amor e, simultaneamente, purificando a sua alma. Foram alguns daqueles que acreditavam nas suas ideias que vieram a fundar a irmandade dos «Derviches Dançantes». Estas irmandades eram muito importantes, como nos lembra Donald Quataert, no seu livro «O Império Otomano» (publicado em português pelas Edições 70):

«Normalmente as irmandades tinham origem em grupos sociais diferentes. Embora em número pouco elevado, os membros da Mevlevi, por exemplo, exerciam uma forte influência política, pois pertenciam à classe alta, sendo muitos deles líderes estatais.».

A dança-meditação (Sema) é uma dança masculina acompanhada por música de flauta e tambores. Há um Xeke, que representa Mevlâna, e os derviches que usam uma longa saia branca e um casaco branco, simbolizando este o seu pano sepulcral, em que os dançarinos rodam sobre si mesmos com os braços estendidos, o que simboliza a ascendência espiritual para a verdade, acompanhados pelo amor e libertados do seu ego.

O chapéu cónico que trazem simboliza a pedra tumular, assim como o casaco preto sobre o branco simboliza o seu túmulo.

Após a recitação inicial, segue-se um recital de flauta, seguindo-se o beija-mão ao Xeke, perante o qual se curvam, deixando depois cair o casaco preto como significando a saída do túmulo.

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