DIÁRIO DE BORDO, 21 de Outubro de 2012

 

Esta noite no Eixo no Mal alguém referiu a indiferença com que a Alemanha encara os problemas dos portugueses. Noutro meio de comunicação social veio a notícia de que Angela Merkel exprimiu satisfação pela evolução nos custos do trabalho em Portugal e noutros países apelidados de periféricos. E ainda outra notícia de que na Auto-Europa de Palmela estão a convidar trabalhadores para irem para a Alemanha. Enfim, notícias que não vão todas no mesmo sentido. Mas o facto é que parece melhor não contarmos com a Alemanha…

Passos Coelho, diferentemente dos governos da Grécia e da Espanha, não parece interessar em aproveitar as informações que vêm do FMI e de outros lados, de que é necessário alterar as políticas da austeridade, antes que elas acabem connosco de vez. A direita portuguesa,  a começar pelo PSD, parece dividida, uma parte defende a renegociação da dívida, outra não. O que equivale a dizer que parte da direita defende a saída de Passos Coelho, outra parte não. Paulo Portas vai-se aguentando, aparentemente pouco à vontade. Deve ter receio de nunca mais ter outra chance de andar lá por cima. Alberto João Jardim defende a mudança de regime. Diz que a defende há muitos anos. Devia explicar-nos qual o regime com que sonha.

Com este panorama, não será exagerado concluir que estamos numa situação agitada. Como Diário de Bordo não teme a crise política, até porque sabe perfeitamente que estamos nela atolados até aos cabelos, nós e a grande maioria dos portugueses, permite-se avançar com algumas ideias:

  • Defender os restos de liberdade de informação e comunicação que ainda vamos tendo. É essencial, até para desmistificar os ataques cada vez maiores em curso aos serviços públicos e aos trabalhadores. É a Lusa, é o Público, são os portos, os estaleiros de Viana do Castelo, a TAP, são tantos casos.
  • Lutar contra as privatizações, que visam apenas tornar irreversível o controle do país pelo grande poder financeiro.
  • Exigir a nacionalização da banca, que anda a ser recapitalizada à custa de todos nós (com a excepção dos seus proprietários, claro).
  • Renegociar a dívida (as dívidas, melhor dito). Parece que até a direita já percebeu aquilo que a chamada esquerda radical diz há vários anos.

Muitas outras medidas são necessárias. E é preciso lutar em todos os campos (na rua, no parlamento, nos congressos, comunicação social…) para as pôr em prática. Aquelas três são urgentíssimas, e sem elas não se sai da crise, ou do atoleiro, como lhe queiram chamar. Têm que ser levadas avante com muita seriedade se se quer sair deste buraco.

 

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