O Pato algemado – VII
Uma sugestão para Paulo Bento…
Por ocasião do Jubileu da Rainha Elizabeth II dois amigos , um inglês e outro chinês passeavam juntos por Londres.
O Chinês: Veja todas estas bandeiras!
Encho o meu peito de orgulho patriótico!
O Inglês: Mas, Chang, são bandeiras britânicas!
O Chinês: Sim, mas veja as etiquetas…
O estranho caso do pastor alemão – O Lobo da Alsácia e a bola de Berlim – por Sérgio Madeira .
Quando Filipe chegou ao escritório, vindo do aeroporto, Marília tinha mais novidades. Na Avenida da Madrid, havia uma marisqueira – «A sapateira prodigiosa». Na quarta-feira, Maria Teresa Corsselle reservara uma ceia para um grupo de potenciais clientes alemães. – Entre eles, há algum pastor? – Marília acenou que não. – Chefe, são casos diferentes… – lembrou timidamente. – Pois, mas nunca se sabe… Filipe não gostava de dar o braço a torcer. Mas o pastor alemão não lhe saía da cabeça. O irmão do assassinado encarregara-o de investigar o crime. O Pais recomendara-lhe os serviços de Marlove. Por isso, Filipe nunca lhe negava ajuda – era o «imposto de palhota», como o inspector dizia, usando uma das suas metáforas de africanista. E Marlove foi para o seu gabinete, que era o nome pomposo que dava a uma marquise que deitava para um saguão pombalino, estreito e degradado (estilo Saigão). Tinha de reflectir de novo sobre o maldito caso, capacho confuso em que tropeçava a cada passo.
Emanuel de Sousa Figueira, um sujeito que fizera fortuna no Canadá, fora morto na sua moradia em Pero Pinheiro. Uma criada fora encontrá-lo moribundo no vasto jardim da residência. Segundo a criada declarara no depoimento à polícia, jorrando sangue da garganta, conseguira articular: « – O pastor… alemão.» Quando a polícia chegou, já com o Emanuel morto, o primeiro suspeito fora o velho Aristóteles um pastor alemão, que dormitava e olhara a brigada policial sem lhe encontrar interesse de maior. Bocejara e voltara a dormir. O médico legista logo ilibara Aristóteles – a ferida do senhor Emanuel, fora produzida por um objecto cortante.
O cérebro de Filipe era um turbilhão: uma hipótese era a de que o moribundo tivesse dito «lobo da Alsácia» e a criada, uma saloia genuína, tivesse feito confusão…
Quando chegou ao café o Pais já o esperava ansioso, pois o Filipe era quem lhe fornecia, senão as soluções, pelo menos as bases teóricas para brilhar nos briefings – o palim sexto – algum rei da Barbilónia ou coisa assim – e o Emprintingue um sábio australiano que se alimentava de gansos e ganhara o Nobel ou coisa assim…
Quando Filipe desbobinou a teoria do lobo da Alsácia, pasmado, o Pais só conseguiu exclamar: -Dass!
A seguir – Como falar com Deus em vinte lições


