EDITORIAL: NO DIA 6 DE NOVEMBRO HÁ ELEIÇÔES NOS EUA

 

Andamos por cá muito preocupados com os desvarios Passos/Portas, mas realmente não podemos esquecer o que vai lá por fora. As eleições norte-americanas são um caso flagrante. Embora se saiba que entre Obama e Romney as diferenças não são grandes em muitas coisas, talvez mesmo na maioria das coisas, convém sabermos o que se passa por ali. Os EUA continuam a ser o país mais poderoso do mundo, e a fortaleza do capitalismo financeiro. Há outros países com poder militar considerável, mas nenhum se compara sequer ao dos norte-americanos, outros países são importantes centros financeiros, mas nenhum oferece tantas garantias ao grande capital quanto os norte-americanos.

Há quem defenda o apoio a Obama na base da ideia que Romney, se for eleito, vai desenvolver políticas que, ao nível interno, agravarão fortemente as já enormes diferenças sociais prevalecentes, e ao nível externo, visarão o aumento da influência dos EUA no mundo, directamente, ou através dos seus aliados (talvez seja mais adequado chamar-lhes satélites). Mas nada nos garante, pelo contrário, que Obama, caso seja vencedor, aparentando outras intenções, não acabe a trilhar os mesmos caminhos.

Um caso muito significativo: durante a campanha eleitoral, pelo menos nos debates televisivos entre os dois candidatos, não foi abordada a questão das alterações climatéricas. Contudo, trata-se de um dos problemas mais preocupantes nos dias de hoje. Veja-se o que se passa com o degelo no Ártico ou, mais perto e mais actual, com os furacões. A força e o número destes têm sido consideravelmente agravados pelo aquecimento dos oceanos, como o demonstrou notoriamente o rasto de morte e destruição deixado pelo Sandy. Entretanto o establishment financeiro e industrial tem mostrado grande oposição a reconhecer a influência da acção do homem nas alterações climatéricas, chegando a negar a ocorrência destas. Veja-se a propósito o interessante artigo de Suzanne Goldenberg, no Guardian, em 23 de Outubro, US presidential debates’ great unmentionable: climate change:

http://www.guardian.co.uk/environment/2012/oct/23/us-president-debates-climate-change?INTCMP=SRCH

Outro aspecto curioso é o desconhecimento por muita gente da existência de mais candidatos à presidência dos EUA. Os dois mais importantes são Gary Johnson, pelo partido libertário, e Jill Stein, pelo partido verde. Esta última candidatura manifesta fortes preocupações sociais e ambientais, e apresenta-se um pouco na linha  do veterano Ralph Nader, e parece ser apoiada por personagens como Noam Chomsky. Contudo os meios destas candidaturas não lhes permitem aspirar a competir com os republicanos e democratas, que monopolizam a cena, num sistema praticamente bipartidário, que tende para partido único. Veja-se no esquerda.net, Nos Estados-Unidos também há esquerda, de Nelson Peralta:

http://www.esquerda.net/opiniao/nos-eua-tamb%C3%A9m-h%C3%A1-esquerda/25269

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