EDITORIAL: DISCUTIR A REFORMA DO ESTADO COM O FMI? PORQUÊ?

Aos poucos, a sociedade portuguesa, vai manifestando o seu repúdio por este governo – é um sentimento generalizado, que atinge até as pessoas do PSD. Naturalmente que os motivos por que este governo é detestado, variam de acordo com os interesses que Passos Coelho e a equipa vão afectando. Variam também de acordo com a perspectiva de quem critica.  Nas ruas, a contestação não pára.

A quantidade de personalidades que já manifestaram o seu desagrado é impressionante. Só o presidente da República (com o seu silêncio) e a Igreja católica apoiam Passos Coelho – depois das inoportunas declarações do cardeal patriarca, foi a vez de hoje o bispo do Porto repetir que as instituições democráticas devem funcionar. O que quer dizer que os cidadãos não devem indignar-se – continuem a ver os jogos de futebol, as telenovelas; continuem a contar os cêntimos – as “instituições democráticas” zelam pela democracia – por que trabalhadores e reformados continuem a pagar o roubo que permitiu o milagre de fortunas surgidas do nada, como aconteceu com a multiplicação dos pães… Felizmente que as vozes de cardeais e bispos não chegam ao céu.

Ontem foi a vez do sociólogo Alfredo Bruto da Costa,   presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, membro do Comité Europeu dos Direitos Sociais (Conselho da Europa), membro do International Advisory Committee on Poverty and Human Rights da UNESCO. Exerceu o cargo de Provedor da Misericórdia de Lisboa de 1974 a 1980 e foi Ministro dos Assuntos Sociais entre 1979 e 1980.

 Em entrevista à TSF, Bruto da Costa defendeu que a reforma do Estado «é, antes de mais, uma escolha da própria sociedade, em que não deve haver a intromissão de pessoas que não são membros da sociedade». E  sobre os planos do Governo para reformar o Estado e supostamente para obter melhores serviços sociais, afirma: «A finalidade última do Governo não é reformar o Estado, mas arranjar quatro mil milhões de euros até 2014. Portanto, o objectivo não é reformar o Estado, não é fazer com que o Estado desempenhe melhor as funções que a sociedade quer que lhe pertençam, mas é obter um certo dinheiro», acrescenta. Bruto da Costa defende que o debate sobre a reforma do Estado deve ser levado a cabo internamente com várias às quais os cidadãos portugueses devem responder para definir o modelo de Estado social que pretendem. É  óbvia a razão do Professor Bruto da Costa – então a reforma do Estado português é discutida com o FMI? Já agora por que não com o Vaticano?

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