EDITORIAL: PORTUGAL NÃO SOBREVIVERÁ A CINCO ANOS DE AUSTERIDADE

 

Angela Merkel quer mais cinco anos de austeridade na Europa, pelo que disse num congresso da CDU. Trata-se obviamente de uma frase disparada para impressionar os eleitores alemães, porque para o ano há eleições e a situação parece complicada. A visita a Portugal na próxima segunda-feira tem o mesmo objectivo: a senhora está cá umas seis horas, é cumprimentos ali e acoli, uma ida à Autoeuropa, vamos embora, e espera com certeza que este estilo imperial agrade aos seus compatriotas. Ela é quem manda, mesmo noutros países.  Passos/Portas fazem tudo para lhe serem agradáveis.

Mas diga o banqueiro Ulrich o que quiser, nem Portugal nem os portugueses aguentam mais estes diktats (esperemos que o alemão esteja correcto, pois é preciso saber falar a língua de quem manda. Já tínhamos o inglês…). Ontem foi noticiado que se prevê que a natalidade no nosso país em 2012 vai ser inferior à de 2011 em mais de quinze por cento. A taxa de mortalidade é relativamente baixa, cerca de 11 por mil habitantes (tenderá inevitavelmente a aumentar com o envelhecimento da população e a deterioração do sistema de saúde),  mas o número de mortes este ano vai exceder claramente o número de nascimentos, não sendo exagero prever que o saldo fisiológico da população vai ser negativo nos anos mais próximos. O saldo migratório, que foi positivo durante vários anos, voltou a ser negativo nas condições que se conhecem.

O PIB português vai continuar a cair, mas com uma taxa superior à prevista. O desemprego vai continuar a aumentar. É simples: os bancos e os grandes grupos económicos não estão interessados na economia. Funcionam mal, procuram resolver os seus problemas com despedimentos (fala-se em 600 no BCP) e financiamento público, e não querem dar satisfações a ninguém.  Passos/Portas continuam a confiar neles para relançarem a economia. Claro que nunca mais isso vai acontecer.  Este ano já terão saído para o estrangeiro 30 mil milhões de euros, e os bancos preferem comprar dívida pública a investirem, porque é muito mais rentável, e dá menos chatice. E com uma ajudinha das agências de notação, as taxas de juro subirão ainda mais. Não virão aquela operação de colocação de dívida pelo BES a semana passada? Dizem que foi um sucesso. Mas também dizem que Portugal continua sem poder regressar aos mercados. Por que será? E será que ganharíamos alguma coisa com isso.

E os nossos governantes continuam a tratar-nos como idiotas. Há bocado, na televisão, no prós e contras, um largou-se a justificar os cortes nos passes nos transportes para idosos nestes termos: “Imaginem o Belmiro de Azevedo a beneficiar do passe de idoso…”. Pois, ao menos o Bernardino Machado ia para S. Bento de eléctrico… Não consta que tivesse passe.

Assim, nem cinco meses aguentamos, quanto mais cinco anos.

 

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