Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
França- Estava-se à espera de Roosevelt, foi Hoover que apareceu …
Enviado por Manifeste pour un Débat sur le libre échange, por Forum Démocratique
19 Outubro de 2012
Grande entrevista de Hollande com vários jornais europeus necessariamente europeus.
O homem de que Todd tinha esperado que virasse a mesa para se transformar num gigante político, à Roosevelt, apresenta-se afinal na forma de um Hoover: ” Sobre a saída da crise da zona euro, nós já estamos perto, muito perto mesmo.”
Bernard Girard, filósofo e bloguista, explica muitíssimo bem o que é separa Hollande do Presidente Roosevelt: o Presidente americano conseguiu obter os meios para mudar as coisas em grande.
Hollande está reduzido a fazer relançamentos da economia mas apenas para algumas décimas apenas de um por cento do PIB e a reorganizar as três instituições bancárias francesas para delas fazer uma nova fábrica de explosivos de que nós sabemos a especialidade – ela será chamada a BPI. A Agefi não vai esperar grande coisa, por falta de recursos adicionais reais, por outro lado a Landerneau agita-se muito para descobrir quem vai herdar o novo queijo.
Mas uma outra frase me choca realmente nesta entrevista .
Eu tinha lido essa frase montada em título no Le Monde, muito ridícula e especialmente perigosamente ao expor o seu autor a uma rápida posição de contradição . Mas uma outra frase me choca na verdade, nesta entrevista. Hollande refere-se à visão alemã da Europa e admite este ponto enorme, extravagante: ‘quem paga deve controlar, quem paga deve sancionar.”
É uma visão do accionista preocupado em ter um controlo consciente sobre os seus activos na proporção dos fundos envolvidos. Será que se trata de uma maneira sensata de evocar um projecto político? É esta a comunidade desejada pelos proponentes da União Europeia? Hollande evoca apenas de passagem as euro-obrigações , o que sugere que se pode tratar de um acordo Franco-Alemão em negociação ainda: emissão de obrigações europeias contra o estabelecimento de um controle alemão das finanças públicas de cada um dos Estados-Membros da zona euro.
Não é novo, que a União Europeia chegue a compromissos coxos onde mal reconhecemos se, na verdade, aí existem princípios. Mas a natureza do compromisso em discussão, a sua ordem de grandeza , estão a mudar de escala.
E essas discussões desenvolvem-se sobre um fundo de crescente exasperação da população relativamente à construção europeia. A tal ponto que, por exemplo, o Presidente da Assembleia Nacional possa estimar publicamente que a rápida redução dos défices de 3% é um absurdo.
Isto leva a uma situação absurda, onde Hollande vai ter que assumir uma mudança nas regras europeias no sentido de um reforço no sentido económico mais absurdo no momento em que a exasperação relativamente à União nunca terá sido tão forte – Veja a última edição do Eurobarómetro realizada regularmente pela União para medir a sua « popularidade ».
Hollande está necessariamente ciente disso e sabe que vai ser impopular em decisões europeias: ninguém lhe será reconhecido. Também ninguém será consultado sobre este assunto. Quando toda a gente lhe pergunta: “para uma Europa mais integrada com a política da União, não será necessário um novo Tratado Constitucional, submetido a um referendo?”, ele imediatamente descarta a hipótese de uma tal consulta: “eu penso lembrar-me que em 2005, nós tentamos esta fórmula, e esta não nos deu os resultados que esperávamos ! “
Note-se que o problema de 2005 para Hollande não é o de que a vontade do povo tenha sido prejudicada, o problema é que o povo respondeu mal. Nós poderíamos encontrar que, no mínimo, o tema presta-se mal para a ironia. O presidente é responsável pela observância da Constituição, a qual promove um “governo do povo, pelo povo e para o povo ‘, ouvi-lo explicar em forma de surdina e a sugerir que é urgente não consultar ninguém sobre um assunto tão explosivo é, em última análise, profundamente chocante.”
OK, eu não esperava que François Hollande corresse na rua com cartazes em defesa da matéria europeia . Mas não pensava encontrar nele este voluntarismo europeu. Bem, devemos sublinhar que as decisões tomadas resultam de um cálculo constante nos assuntos europeus: nunca recuar na atribuição de poderes adicionais para as estruturas europeias. Agora pode-se até acrescentar uma segunda linha: não desistir, mesmo à custa de aumento do desemprego e da renúncia aos princípios democráticos (que podem pretender estabelecer uma demos Europeia com o ditado “o país que paga controla”?).
Podemos finalmente contar com Mélenchon para liderar a oposição às propostas de uma Europa mais avançada e que estão agora em preparação?
Devo admitir que a conclusão do seu vídeo post-TSCG me deixou sem palavras. Ouve-se este a concluír: ” é aí que vai o futuro do nosso país e da ideia que nós temos da Europa “
É costume, num discurso, terminar pelo mais importante , como uma síntese do essencial. Se o essencial , nos debates actuais, é a Europa isto significa que Mélenchon já está situado numa lógica de concessão (deve-se dizer que, em um post anterior, identifiquei a linha de Mélenchon sobre o euro, como uma posição muito neoliberal na forma: “a moeda única tem uma vantagem que é também a sua desvantagem mais importante: ela conduz de uma forma ou de outra para uma convergência das políticas económicas e sociais”- e esta forma de encarar a moeda única é uma forma neoliberal em que se prefere uma política automática dita ‘regra de ouro’, em vez de decisões com base nas necessidades do presente. Aliás, a afirmação é falsa até porque a moeda única tem conduzido a uma maior divergência quer dos saldos comerciais dos seus membros quer ainda das taxas de juro sobre suas dívidas públicas).
Pela minha parte, não tenho neste momento nenhuma ideia de Europa, e especialmente não escondo por detrás do termo “Europa” a realidade da integração europeia como o faz Mélenchon na sua conclusão.
A Europa é um continente muito bonito, como o Auvergne é uma magnífica região. No estado actual, é imperativo deixar caír toda uma outra “ideia” ‘ da Europa, sobretudo se não é claramente definida; e é urgente colocar tudo em pratos limpos.
Mélenchon posicionou-se tal como o Primeiro-ministro de recurso de Hollande, o que ele terá de nomear quando as exigências alemãs vierem a tornar-se inaceitáveis, mas que terá tomado muito cuidado para nunca ser considerado verdadeiramente hostil à integração europeia. Eu não estou a dizer que que isso é o que vai acontecer e acho que Hollande fará tudo para não chegar aí. Mas é, na minha opinião, o jogo que joga Mélenchon. A Democracia aí não fica a ganhar.
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