EDITORIAL: A ALEMANHA CONTRA A EUROPA

 

Para quem examina a história recente da Europa torna-se inevitável a conclusão de que a Alemanha põe os seus fins nacionais à frente da coesão europeia. Dirão muitos: mas isso é perfeitamente óbvio. Sim, mas isso não foi assumido, pelo menos por quem deixou Portugal ficar tão dependente da banca alemã, por exemplo. Trata-se de um problema já antigo, não é de agora. Já no tempo da outra senhora (perdão, antes do 25 de Abril) houve problemas por causa do pagamento das verbas que nos foram emprestadas para construir as barragens do Alentejo, algumas das quais também não era tecnicamente aconselhável que fossem construídas, pelo menos com a dimensão e localização com que foram executadas.

Os alemães, hoje em dia, são talvez o maior obstáculo a uma Europa unida. Especular à volta de cenários alternativos é sempre arriscado e, a maior parte das vezes, de utilidade praticamente nula. O que aconteceria se a Alemanha não se tivesse reunificado? Alguns falariam imediatamente na ameaça russa, e recordariam Mitt Romney, que considera (pelo menos di-lo) a Rússia o principal inimigo geoestratégico. Depois viriam o escudo nuclear, a defesa anti-míssil, o Irão, etc.

Parece que no fim da Segunda Grande Guerra, os alemães tinham intacta 70 % da sua capacidade industrial. Isto apesar dos pesados bombardeamentos a que foram sujeitos. Só em Dresden, numa noite morreram mais de cem mil pessoas, numa acção de interesse militar muito discutível.

Diz-se: não se deve confundir o povo alemão com as elites que o governam. É verdade. Também não devemos confundir o povo português com a oligarquia que nos levou a este precipício em que nos encontramos. E que agora quer que sejamos todos a pagar, sem piar (desculpem a rima pobre). Nunca faríamos essa confusão. Por isso é importante fomentar os contactos entre as pessoas e a informação. A União Europeia não pode ser a união dos banqueiros, ou dos políticos arrivistas. E a união dos povos poder ser um sonho. Mas por este, na Europa e no Mundo, vale a pena esforçarmo-nos. Contra Merkel, Passos/Portas, Obama/Romney e mais uns quantos.

 

 

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