Mata-moscas (Amanita muscaria) – por Andreia Dias

Atrevo-me a dizer que este será o cogumelo mais famoso, por fazer parte das histórias do nosso imaginário infantil… recordo o ciúme que senti quando o meu irmão juntou as mesadas das avós e adquiriu a casa dos “Estrunfes”, agora mais conhecidos por “Smurfs”… a casa era um Amanita muscaria! Era uma alegria quando por vezes deixava que a minha “Estronfina” visitasse o “Grande-chefe” na sua casa… sonhava com aquela casinha…

É frequentemente associado às histórias de fadas, duendes e gnomos das florestas… e tem realmente um aspecto encantador…

Sempre tive curiosidade em ver um cogumelo destes e recordo o primeiro, em que tive a sorte de ter a máquina fotográfica comigo (foto em baixo). Foi no Gerês, por acaso… como todos os belos acasos… inesquecíveis!

Por momentos recuei no tempo, senti-me a “Alice no País das Maravilhas” conversando com a lagarta que fumava narguilé, sentada no chapéu do cogumelo. Deitei-me no chão, como quem olha um filho acabado de nascer… querendo assimilar todos os pormenores e memorizando no seu álbum de fotos do pensamento… e tudo isto por um cogumelo… mas um cogumelo mágico! Não me vou esquecer… esta foto permaneceu meses a ilustrar o ambiente de trabalho do meu computador.

Os cogumelos comestíveis são um alimento milenar. Foram cultivados pelos gregos, romanos e também os egípcios os ofereciam aos seus faraós. O famoso cogumelo Shiitake era cultivado na China há mais de 1500 anos e o Champignon, foi cultivado em França durante o reinado de Luís XIV (1638-1715).

Hoje em dia é de fácil acesso em qualquer superfície comercial e podemos deliciar-nos com iguarias inigualáveis.

Em Portugal, o mundo dos cogumelos silvestres tem vindo a ser progressivamente delapidado. Anualmente assiste-se ao saqueamento de cogumelos, sem cuidado nem respeito pelas regras básicas de segurança alimentar. Apesar de não termos tradição tão enraizada na colheita e consumo de cogumelos como noutros países, começamos finalmente a ter cada vez mais acesso a cursos e workshops transmissores de conhecimento. Estes, além dos alertas sobre os problemas irremediáveis com a ingestão de determinados cogumelos, transmitem informação sobre a enorme variedade e curiosidades ligadas a estes fungos. Desde os diferentes cheiros (anis, amêndoa, sabão) passando pelas cores e feitios… até à confecção (sopas, licores, bolos…).

Convém não esquecer que alguns cogumelos são altamente tóxicos, levando muitas vezes à morte. Já todos conhecerão certamente a frase “todos os cogumelos são comestíveis… alguns apenas uma vez…”.

Todos os anos morrem pessoas vítimas de envenenamento por cogumelos. Por mais alertas que existam, alguém sempre cai em tentação…e não resiste ao aspecto apetitoso destas iguarias naturais.

Alguns, como o Amanita muscaria, têm propriedades alucinógenas e são utilizados por diversos povos para diversos rituais.

É essencial saber a espécie ou grupo de espécies a que pertence o cogumelo para determinar a sua comestibilidade. É importante ter em atenção que não existe nenhum método (presença de anel no pé, passar a faca, passar alho,…) para determinar a toxicidade de um cogumelo.

Curiosidades: “muscaria” refere-se à utilização do cogumelo para atrair moscas. No séc. XIII o fungo era esmagado em leite que atraía as moscas deixando-as atordoadas sendo depois fácil matá-las. Na Idade Média acreditava-se que as moscas podiam entrar na cabeça das pessoas e provocar loucura, provavelmente um efeito semelhante ao poder alucinogénico deste cogumelo.

Em algumas zonas rurais da Roménia, o cogumelo é colocado no batente das janelas para evitar a entrada das moscas.

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