Pentacórdio para Terça 20 de Novembro

por Rui Oliveira

 

   Na Terça-feira 20 de Novembro o evento musical a destacar é o concerto “Lula Pena feat.Mû” que ocorre na Sala Principal do Maria Matos Teatro Municipal, às 22h.

    Após cerca de vinte anos dum encontro fortuito em que o guineense fascinado pelo canto de Lula Pena lhe entregou uma canção de homenagem, o seu reencontro num estúdio de gravação levou ao início duma colaboração frutuosa que se vai expressar no palco do Maria Matos onde a cantora portuguesa se acompanhará de guitarra e Mû de instrumentos como o simbi, o tonkorongh, a harpa e o tambor de água.

   Para lá da recreação dos temas de “Troubadour” (2010), o último álbum de Lula Pena, entrarão ambos num “terreno inédito, repleto de espiritualidade comovente e geografia indeterminada” (do programa), o que o leitor poderá ajuizar deste registo recente obtido no Teatro Echagaray, em Málaga (Espanha) :

 

 

 

   Ainda na Terça 20 de Novembro há na Sala dos Espelhos do Palácio Foz¸às 18h30, um Recital de canto e piano, numa iniciativa da Embaixada da Letónia com entrada livre, em que os artistas letões Sergejs Jegers, contra-tenor (foto) e Ieva Smite-Misina, pianista interpretarão obras (cujo pormenor se desconhece ainda) dos seguintes compositores : Georg Friedrich Händel, Christoph Willibald Gluck, Antonio Lotti,  Giulio Kaccini e  Ernesto de Curtis.

   O único registo encontrado onde pode aperceber-se a sonoridade de ambos é esta gravação da  Ave Maria de Giulio Caccini (1545-1618) cantada em Novembro de 2011 em Noumea (Nova Caledónia) :

 

 

 

 

   No campo do cinema, há a estreia de filmes portugueses (que ainda não tivémos oportunidade de ver) desde o incensado “Deste lado da Ressurreição” de Joaquim Sapinho até ao mal-amado “O Cônsul de Bordéus” de Francisco Manso e João Correa.

   Deste último é dito que “é inexplicável aquele tom de representação” e “é dificilmente compreensível a pequenez anímica com que os eventos dramáticos são narrados” (JLR in Actual) ou que ´”obra mais bem acabada e melhor construída do que as anteriores … mas que, mesmo assim, prossegue o equívoco central de fazer cinema como se este não fosse mais do que televisão em grande ecr㔓desde o maniqueismo hagiográfico de personagens sem conteúdo emocional … passando por uma iluminação de estúdio de telenovela e um lado turìstico-promocional francamente escusado” (J.M. in Ipsilon). Para concluir “o gesto do nosso cônsul em Bordéus … tem tal dimensão humana que o mínimo que há que exigir a quem o tome nas mãos é a consciência da dignidade necessária…” (JLR). Veja o leitor e ajuize.

   Já o filme de Sapinho (na foto) suscita a nota de “um filme raro, em que os extremos da condição humana se confrontam com a nossa capacidade existencial” (ALN in Actual) ou, mais descritivamente, “… sem ser o típico «filme de surf» e também sem ser o típico «filme de monges», Deste Lado da Ressurreição aproxima-se de todos com a curiosidade de quem está a inventar uma «antropologia muito particular» … o que aproxima o que está separado, sejam as pessoas, sejam a banda de som e a banda de imagem, sejam os dois lados – este e o outro – da ressurreição?” (LMO in Ípsilon).

   Desta história ao mesmo tempo muito fina e muito grave, dois irmãos (o rapaz surfista, a miuda liceal) distantes unidos (ou separados) por um mistério relacionado com o pai desaparecido, mostram-vos o trailer oficial :

   

 

 

 

   No (curto) Festival do Cinema Russo (actual) a decorrer no Centro Cultural de Belém, no seu Pequeno Auditório, às 21h, com entrada livre, o filme desta Terça-feira 20 de Novembro é “4 Dias em Maio” (“4 Dnya V Mae”) (Rússia, Alemanha, Ucrânia, 2011) de Achim von Borries com Pavel Venzel, Alexey Guskov, Ivan Schvedov, Andrey Merzlikin, Serguei Legostaev, Maksim Kovalevsky, entre outros.

   Primavera de 1945. Uma Primavera que deu esperança. Uns festejam a vitória, outros recuam. Centenas de kilometros de guerras passadas, os soldados russos e os alemães sobreviveram mesmo quando a morte parecia inevitável. Quer os vencedores, quer os vencidos estão cansados de batalhas.

   Um grupo de exploradores soviéticos ocupa uma quinta na Alemanha do Norte, que se tinha tornado uma Casa da Criança. Depois de perder o filho, um Capitão russo faz amizade com um menino alemão, e uma menina alemã apaixona-se por um operador de rádio russo… Não sabiam que tinham pela frente perfídia, traição e a última batalha que transforma os amigos em inimigos.

   Embora em alemão e russo, é possível pressentir o clima do filme neste trailer :

 

 

   O ciclo de cinema  organizado pelo Instituto Cervantes De pata negra: Cine español con sello de calidad exibe ne Terça 20 de Novembro na sua sede às 18h30 (com entrada livre) o filme “Tren de sombras” (Espanha, 1997) de José Luis Guerín.

   Em torno do misterioso assassinato do fotógrafo e cineasta amador Gérard Fleury, José Luis Guerín constrói uma meditação sobre a imagem fotográfica e cinematográfica, sobre a perda e deterioração decorrentes da passagem do tempo e a indefinição entre facto e ficção. O realizador alterna imagens a preto e branco com coloridas, tornando o filme uma experiência visual poderosa.

   Mostramos-lhe duas cenas, vistas de diferentes pontos de vista, exemplificando a pesquisa feita a partir dos escassos fotogramas recuperados do seu filme amador :

 

 

 

   Lembramos por fim neste alerta sobre “novidades” na 7ª arte, que prossegue na Cinemateca o ciclo “O Cinema Marginal Brasileiro e as Suas Fronteiras” de que se mostram neste período de 19 a 21 de Novembro películas que nunca foram entre nós exibidas, nem mesmo na Cinemateca. São elas :

   – Meteorango Kid, Herói Intergalático (Brasil, 1969) de André Luiz Oliveira com Antonio Luís Martins, Carlos Bastos, Milton Gaúcho, a 19 de Nov. na Sala Dr. Félix Ribeiro às 19h.

   – O Despertar da Besta (Ritual de Sádicos) (Brasil, 1969) de José Mojica Marins com José Mojica Marins, Sérgio Hingst, Ozualdo Candeias, Ítala Nandi, a 19 de Nov. na mesma Sala às 21h30.

O Homem e Sua Jaula (Brasil, 1969) de Fernando Coni Campos, Paulo Gil Soares com Joel Barcellos, Helena Ignez, Esmeralda Barros, Hugo Bidet, a 20 de Nov. na Sala Luís de Pina às 19h30.

O Profeta da Fome (Brasil, 1969) de Maurice Capovilla com José Mojica Marins, Maurício do Valle, Sérgio Hingst, a 20 de Nov. na mesma Sala às 22h.

   – Caveira, My Friend (Brasil, 1970) de Álvaro Guimarães com Nonato Freire, Baby Consuelo, Sónia Dias, a 21 de Nov. na Sala Luís de Pina às 19h30.

   – República da Traição (Brasil, 1970) de Carlos Alberto Ebert com Vera Barreto Leite, Zózimo Bulbul, Antonio Pedro, a 21 de Nov. na mesma Sala às 22h.

 

 

         

   Por último e quanto a exposições, lembramos que a pausa dominical pode ser recreada (e instruida também) pela visita a uma mostra que encerra na próxima Segunda 26.

   Referimo-nos à “Keep the Oceans clean” (“Mantenham limpos os Oceanos”), onde mais de 20 esculturas, feitas a partir de lixo encontrado em praias e retirado do mar, vão estar em exposição no Oceanário de Lisboa todos os dias das 10h00 às 18h00 com entrada gratuita.

   Da autoria da “Skeleton Sea”, um colectivo de três artistas surfistas, a exposição alerta para a responsabilidade de todos na conservação dos oceanos.

   O projecto, iniciado em 2005, “consiste em recolher lixo do fundo do mar, em praias de vários pontos do Mundo, e reutilizá-lo para criar obras de arte”, afirma João Parrilha, um dos membros do grupo Skeleton Sea, e também artista – tal como são todos. Plástico, ferro, borracha, cordas e redes foram os principais materiais recolhidos. Mas não só. Também se reuniram outros que deram origem a esculturas que os visitantes podem contemplar, como o “Flip Flop Fish”, peça feita com chinelos de plástico e a “Roxy Marmaid”, construída com detritos de embarcações, entre outras esculturas.

   O Oceanário de Lisboa, entretanto, é um aquário público de referência em Lisboa, em Portugal e internacionalmente. O equipamento recebe anualmente cerca de 1 milhão de pessoas, que percorrem as suas exposições, tornando-o no equipamento cultural mais visitado de Portugal.

   Deixamo-vos com uma homenagem (russa !) ao Oceanário de Lisboa que lhe assegura o estatuto de “primeiro oceanário público da Europa” :

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Domingo aqui )

 

 

 

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