BOB DYLAN – “ONDE QUER QUE ESTEJA SOU UM TRAVADOR DOS ANOS 60” por clara castilho

 

Robert Zimmerman, seu verdadeiro nome, 71 anos, convertido ao cristianismo em 1979, iniciou a carreira há 50 anos.

O disco ‘Tempest’ foi autoproduzido. É uma obra temperada com tonalidade sépias, numa continuidade da sua obra, ocultando os últimos 50 anos de música de outros. Continua centrado no folk, nos blues e na musica country da primeira metade do século XX.

Dylan  aparece como um trovador.. Pega em canções tradicionais e acrescenta-lhes um conto… É ele próprio que dá esta definição, nas suas Crónicas – (volume I, Ulisseia, Lisboa, 2005): “É bonito ser-se tido como uma lenda e as pessoas até pagam aa ver, mas para a maioria uma vez não basta.. Onde quer que esteja sou um trovador dos anos 60, uma relíquia do folk, um forjador de palavras dos tempos idos, uma vã cabeça de estado de sitio que ninguém conhece.”

 

A canção “Tempest” narra durante 14 minutos os últimos momentos do naufrágio do Titanic. Com uma música tradicional irlandesa Dylan descreve momentos macabros e actos de coragem. Diz o autor à revista Roling Stone: “ A canção sem ele não seria a mesma. Nem o filme”.

Em “Roll on John”, lamenta o assassinato do amigo John Lennon, reproduzindo um trecho de “A Day in the Life” (“I heard the news today, oh boy”) dos Beatles.

Quiseram fazer comparações com a obra de William Shakespeare. Dylan respondeu ironicamente que a do outro se chama “A Tempestade” e a dele só “Tempestade”.

 

Leave a Reply