EDITORIAL: LEMBRAM-SE DO KOSOVO?

O Kosovo é um país dos Balcãs, cuja independência é reconhecida por muitos países, como os EUA, a França, o Reino Unido e a Turquia,  embora outros, como a Rússia, a China e o Brasil não concordem, por acharem que o princípio da integridade territorial da república da  Sérvia foi violado. Temem claramente a proliferação de movimentações no sentido da independência de outros territórios. Na Europa, também a Espanha, a Grécia, Chipre, a Roménia e a Eslováquia se recusam a reconhecer esta independência.

O Kosovo tem de área territorial cerca de 10 900 quilómetros quadrados, e a sua população é de cerca de 2,2 milhões de pessoas. Na sua maioria são de etnia albanesa, sendo numerosos os muçulmanos. A sua história inclui mais de cinco séculos de sujeição ao império otomano. Ultimamente estava sujeito à república da Sérvia, após a desagregação da República Socialista Federal da Iugoslávia. A Sérvia continua a recusar reconhecer a independência do Kosovo, reclamando direitos históricos.

Embora não faça formalmente parte da ONU, tem estado no território uma força de interposição da União Europeia (participada por Portugal), mandatada pela própria ONU para assegurar ali a paz. Os atritos entre a minoria sérvia e a maioria albanesa não parecem ultrapassados, continuando a tensão entre as comunidades a fazer parte da vida do Kosovo.

Será interessante fazer a comparação, ao nível do direito internacional, com outras situações no Mundo. Dentro da União Europeia, duas situações saltam imediatamente à vista. A primeira será Chipre, onde na parte da ilha de população turca, a Turquia continua a manter uma importante presença militar. A outra é a Espanha, onde há importantes tensões independentistas na Catalunha e no País Basco. Na primeira, amanhã realizam-se eleições, muito importantes para a clarificação da vontade dos catalães sobre se desejam uma maior autonomia do estado espanhol, ou mesmo a independência.

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