RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Desemprego força os europeus do Sul ao êxodo

Claire Gatinois, Le Monde

(conclusão)

Parte II

Este último, com base em dados do Eurostat referidos nota que, nos “Gipsi” (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália), a população em idade activa reduziu-se  no primeiro semestre num intervalo  de 0,1 a 0,9% em relação ao mesmo período em 2011, mas aumentou de 0,2% na Alemanha. Um país onde o desemprego está nivelado pelo mínimo histórico  e que tem falta de mão-de-obra .

Estas “transferências” de trabalhadores teriam permitido reduzir o desemprego até cerca de  6% por ano nos países mais afectados, aponta  Thomas Liebig, um economista da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), citando os seus  recentes  trabalho de  investigação. Além disso,  os trabalhadores  emigrados enviam  dinheiro para os seus familiares mais próximos, assegurando uma transferência financeira bem-vinda.

Le Monde

São muitos os jovens que se exilam

Para Bernard Girard, consultor de empresas  e autor de teses a  favor da liberdade de circulação dos  trabalhadores na Europa, “estas migrações  lembram aquelas  que tiveram os  Estados Unidos na década de 1930”. Segundo ele, estas migrações podem significar  ou mesmo  anunciar  “a criação ou, possivelmente, o desenvolvimento de um verdadeiro mercado de trabalho europeu”, como existe  nos Estados Unidos.

Somente uma   armadilha, o mercado de trabalho não é perfeito: os trabalhadores que emigram não são sempre aqueles de que precisam nos países de acolhimento. A OCDE ressalta que 30% dos trabalhadores qualificados imigrantes na Europa aceitam  empregos para os quais são sobrequalificados  . Os “nativos” dos países em causa seriam  apenas 12% a sofrerem com esta diferença  entre o seu trabalho e a sua  qualificação.

Resta – e isto é o mais preocupante – que com estas hemorragias da mão-de-obra os países em crise correm o risco de perderem um recurso essencial ao seu crescimento futuro. Os economistas, na verdade, preocupam-se  com os perfis dos que emigram:  jovens e brilhantes diplomados?  Gente que levaria muito tempo a formar e de que o país poderá  ter cruelmente necessidade  para a sua própria retoma da economia? As estatísticas disponíveis não identificam de forma precisa qual o nível de educação dos trabalhadores do sul da Europa que emigram. Mas aqueles que vão para o exílio  têm na sua maior parte  idades entre os  20 e os 29 anos, argumenta o Sr. Saunders. Esses trabalhadores  a prazo representam receitas fiscais.

Não é certo, enfim, que estes fluxos de população sejam globalmente benéficos para a Europa. Porque a Alemanha e a Suécia apenas captam  uma parte. Por causa da língua, principalmente,  estes e estas  que partem optam também por  África, América Latina ou a América do Norte. O que compromete claramente a  recuperação do velho continente.

A não ser que estes movimentos sejam apenas temporários. ” Há boas razões  para o poder pensar,” diz-nos  Ratha, porque se trata de  uma emigração “voluntária  e natural  ligada  com a crise”, disse ele. Depois de que a situação ter vindo a melhorar, as populações deverão  regressar  . Salvo se  a crise perdurar. Ora, o  limite fatídico está algures  entre cinco e dez anos. Passado este período ” os imigrantes não voltam mais para o país de origem “, adverte Ratha.

Claire Gatinois, Le Monde, Novembro de 2012.

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Uma nota. A Alemanha a caminho do equilíbrio orçamental em  2014

A Alemanha  visa obter  um orçamento equilibrado  até 2014, apesar de um menor aumento da  sua receita de impostos a partir de 2013, disse quarta-feira, 31 de Outubro, o ministro das Finanças Wolfgang Schaüble.

Este ano, as receitas fiscais do país devem ultrapassar a 5,8 mil milhões de euros, de acordo com as  estimativas do  Ministério das Finanças.

O governo de Angela Merkel subiu a  sua previsão de crescimento do produto interno bruto (PIB) para 2012 para   0,8%, mas reduziu a de  2013 para 1% (1,6% anteriormente) para ter em conta  a desaceleração na Europa.

Schaüble tinha estimado na semana passada  que  o país poderia reduzir o seu défice  estrutural (com a exclusão dos efeitos cíclicos) para  0,35% do PIB em 2013, ou seja, a três anos antes do prazo previamente estabelecido .

Claire Gatinois,  Le chômage pousse les Européens du Sud à l’exode, Le Monde, 1.11.2012.

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