EDITORIAL: A REFORMA ADMINISTRATIVA

Entre as muitas prendas com que nos tem brindado, o governo Passos/Portas arrancou há algum tempo com uma, chamemos-lhe assim, iniciativa que intitulou de reforma administrativa. O prato forte que nos serve essa chamada reforma administrativa é a extinção de um grande número de freguesias. Os partidos da oposição recusaram-se a colaborar com essa reforma administrativa.  Contudo, à conta  da maioria parlamentar, e talvez ainda mais devido ao alheamento da maioria das pessoas deste tipo de assuntos, Passos/Portas têm avançado, invocando a troika, a necessidade de diminuir a despesa, o défice orçamental, a lenga-lenga habitual para justificarem tamanho disparate.

A obrigatoriedade de extinguir  de um grande número de freguesias não consta do memorando da troika. Se se economizar algum dinheiro com esta medida (para não lhe chamar amputação, ou outra coisa ainda mais forte), os benefícios resultantes, se é que os haverá,  serão largamente ultrapassados pelos prejuízos. Prejuízos esses a suportar sobretudo pelas populações, que nem sequer são escutadas neste processo.

As juntas de freguesia não nenhum ornamento. São o organismo político mais próximo das populações, e muitas prestam serviços assinaláveis. Recentemente, um número significativo começou a apoiar o serviço de correio. Documentos de primeira necessidade são nelas tratados, poupando aos seus “fregueses” longas e penosas deslocações. Também há freguesias que dão apoios importantes a certas faixas da população, como os idosos.

Algumas pessoas temem que esta pseudo-reforma seja apenas o primeiro passo para a extinção das freguesias, numa nova etapa da centralização férrea que nos estão a impor. É de recordar que as freguesias são um obstáculo, talvez o maior, à desertificação do interior do país, muito agravada pelas políticas dos iluminados que nos têm governado. E nas zonas de população mais densa participam os são ouvidas  sempre nas poucas respostas de melhor qualidade que se têm dado aos gravíssimos problemas sociais que ali ocorrem.

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