OPERAÇÃO PAPAGAIO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

1961: em Lisboa contam-me o que a maioria dos frequentadores do Café A Brasileira já sabe, regabofe coletivo: Tu, Mário-Henrique Leiria, e um grupo de malucos, entre os quais Virgílio Martinho e o poeta António José Forte, estão a programar, de mesa para mesa e em voz alta, a revolucionária Operação Papagaio. Numa das próximas noites vocês propõem-se bater à porta do Rádio Clube Português, que fica na Parede, povoação mesmo ao lado de Carcavelos. Lá dentro há apenas um contínuo enquanto roda a bobine com o programa noturno “Companheiros da Alegria”. A porta é aberta. Vocês apontam um revólver, imobilizam, amarram e metem o contínuo num cacifo que depois fecham por fora, a cadeado. Entram no estúdio e trocam a bobine por uma outra que trazem convosco. Esta contem marchas militares, também o Hino Nacional tocado frequentemente e, a cada cinco minutos, notícias sobre movimentações militares para derrubar o Governo. Termina convidando a população a deslocar-se á Baixa de Lisboa para saudar os militares vitoriosos.

Enquanto gira a nova bobine vocês retiram-se do Rádio Clube Português. Ficarão, pelas esquinas, a aguardar a reação dos ouvintes que, esperam, seja de entusiasmo…

Quem não aguarda a Operação Papagaio é a PIDE, que vos prende mas fora d’A Brasileira, para não dar nas vistas. Durante o interrogatório os agentes, volta e meia, correm para o corredor a desrolhar as gargalhadas. Vocês ficam detidos uns quatro ou cinco dias, talvez uma semana. Depois levam uns safanões e são postos na rua. O espaço já é curto para arrecadar tantos subversivos, quanto mais uns brincalhões inofensivos…

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