Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
A verdadeira crise da zona euro é muito mais do que a crise da dívida.
| Paul Downer / Flickr |
Parte I
A Europa está em crise, e já não é apenas sobre ocasionais crises nos mercados de dívida soberana dos países considerados periféricos.
Na verdade foi sempre muito mais do que isso, nunca foi bem isso .
O continente europeu desde há décadas, desde o final da segunda guerra mundial que se esforçou em criar uma identidade transnacional, a realização de um sonho para terminar com os conflitos militares entre as superpotências continentais como a França e a Alemanha que os tem atormentado ao longo dos séculos.
No entanto, essa identidade – e as instituições como a UE e o BCE que a encarnam – está a atingir um preço muito elevado. Os eleitores dos Estados membros da zona euro descobriram que estão a exercer cada vez menos controle sobre a sua própria governação com a sua ida às urnas. Em suma, a democracia está em crise.
Agora, a Europa está numa encruzilhada histórica, provocada pela desastrosa implementação do euro –deve ceder ainda mais poder para o nível supranacional, onde os eleitores não são representados por autoridades eleitas ou enfrentam as consequências dos mercados financeiros.
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A verdadeira crise da zona euro é muito mais do que a crise da dívida
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A União Europeia acaba de ser premiada com o Prémio Nobel da paz em 2012 pelas suas contribuições para a democracia na Europa
A União Europeia foi premiada com o Prémio Nobel da paz em 2012 pelas suas contribuições para a democracia na Europa. Curiosamente, a sua contribuição para o fortalecimento da democracia na Europa foi citada como uma determinante essencial na decisão do Comité do prémio de Nobel, segundo o comunicado de imprensa:
Na década de 1980, a Grécia, Espanha e Portugal aderiram à UE. A introdução da democracia era uma condição necessária para a sua adesão. A queda do muro de Berlim tornou possível a adesão à UE de vários países da Europa Central e Oriental, abrindo-se assim uma nova era na história da Europa. A divisão entre Leste e oeste em grande medida estava a chegar ao seu fim ; a democracia tem sido fortalecida; estabeleceram-se muitos conflitos nacionais baseados em questões étnicas.
A admissão da Croácia como membro no próximo ano, a abertura das negociações de adesão com o Montenegro e a concessão do estatuto de país candidato à Sérvia tudo isto tende a fortalecer o processo de reconciliação nos Balcãs. Na última década a possibilidade da Turquia aderir à União Europeia também tem sido um avanço da democracia e dos direitos humanos naquele país.
A UE está actualmente a passar por graves dificuldades económicas e por uma considerável agitação social. O Comité Nobel norueguês pretende focar o que ele vê como sendo o resultado mais importante da UE: a bem sucedida luta pela paz e pela reconciliação, para a democracia e pelos direitos humanos. O papel estabilizador da UE ajudou a transformar a maior parte da Europa de um continente de guerra num continente de paz.
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