REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção. tradução e nota de introdução de Júlio Marques Mota

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Será que  os governantes da Europa estão a  copiar  as políticas de Herbert Hoover, em 1929, ou as da  monarquia francesa em 1789?

“Os povos europeus poderão ter uma  palavra a dizer quanto à  definição do seu destino antes mesmo que este ciclo de austeridade absurda termine. Quando eles se tornarem suficientemente corajosos ou desesperados para falar”, para se expressarem, eles a dirão, eles a realizarão.

Esperemos que o façam em 2013 são os nossos votos de Bom Ano- Júlio Marques Mota

Maximus Fabius

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Parte II

(2)  Há uma outra solução a desvalorização

“A nenhuma pergunta é tão difícil responder como aquelas em que a resposta é óbvia.” George Bernard Shaw

– Como de costume, estas medidas são descritas como necessárias, sem mais nenhuma alternativa alguma vez mencionável. Mas há uma solução testada e comprovada – dolorosa, mas eficaz. A periferia, ou mais do mesmo, deve deixar a zona euro. Combinando esta saída com um incumprimento parcial (directo ou por troca com novos títulos), isto poderia restaurar a sua competitividade e abrir um caminho para um futuro melhor.

Mas a Alemanha tem beneficiado muito da zona euro e desmantelar a zona euro poderia atingir os seus interesses. Os seus bancos insolventes, devido às suas carteiras de títulos dos países da  periferia. A sua moeda – se euros ou marcos – dispararia e os valores que iria atingir seriam tão altos que sufocariam as suas exportações. O seu plano – que até agora tem estado a funcionar – exige uma austeridade dolorosa para os países da periferia e um euro mais baixo (para aumentar as exportações alemãs). Como a fase inicial da UEM ( de grande alavancagem, 1999-2008) beneficiou a Alemanha, o mesmo acontece com a desalavancagem actual.

Mas é o paraíso de um tolo. Austeridade vai provocar uma recessão, que vai provocar  aumentos nos défices públicos  nos GIIPS ,  anulando todo e qualquer resultado positivo que se poderia alcançar com as politicas de austeridade. Ao mesmo tempo tudo isto está a corroer  todo e qualquer apoio para a zona euro. Não importa qual  o valor em títulos não  rentáveis dos  bancos que estão  agora nas  mãos do BCE, no seu balanço, nos seus livros.  Não importa agora saber qual a grande dimensão dos  lucros que o BCE gera para os bancos da Europa (por exemplo, as LTRO  permitem  aos bancos levantarem fundos  no BCE  a 1% e investir em títulos de dívida pública dos  governos  a  rendimento bem mais elevado).

A pressão vai inevitavelmente crescer nas nações da agora chamada periferia; então uma verdadeira mudança irá acontecer. A unificação, que acabará com o combóio da alegria para a Alemanha actual. Ou a fragmentação da zona euro que, esta também, irá acabar com o memso combóio da alegria para a Alemanha.

Não importa o que Wall Street pensa: os bancos não são a Europa. Encaminhando o dinheiro para os bancos estabiliza-se a situação, mas nada se corrige. Os povos europeus poderão ter uma  palavra a dizer quanto à  definição do seu destino antes mesmo que este ciclo de austeridade absurda termine. Quando eles se tornarem suficientemente corajosos ou desesperados para falar, para se expressarem.

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