O EMBUSTE JUDAICO – UMA LENDA, UM SONHO… TRANSFORMA-SE NUM PESADELO – 6- por Carlos Loures

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Conclusão

«O livro de Shlomo Sand sobre a invenção do Povo Judeu é, além de um lúcido ensaio histórico, um acto de coragem. Aconselho a sua leitura a todos aqueles para quem o traçado da fronteira da opção de esquerda passa hoje pela solidariedade com o povo mártir da Palestina e a condenação do sionismo». Diz Miguel Urbano Rodrigues no excelente artigo que serviu de base a estes textos. Na realidade, o sionismo é um ideal tão asqueroso como o foi o nazismo. E enquanto o nazismo está morto, o sionismo continua a fazer vítimas. Mas nem todos os israelitas são sionistas. Como recordei no primeiro destes 0pequenos artigos, as condenações mais veementes do sionismo, têm vindo de israelitas –  antes de Shlomo Sand,  Idith Zertal, professora de História e Filosofia Política na Universidade de Basileia, autora de A Nação e a Morte, e, antes dela, Hannah Arendt, com a sua Origens do Totalitarismo – denunciaram o carácter perverso do sionismo. Idith Zertal pôs o dedo na ferida ao salientar o uso do Holocausto para justificar todos os crimes praticados contra os palestinianos.

Os judeus, embora os alicerces da sua suposta etnia tenham sido destruídos pela verdade científica, estão colocados numa situação de  permanente perigo de extermínio. A criação do Estado de Israel foi um erro da diplomacia britânica. No entanto, hoje a nação judaica é um facto consumado. Milhões de pessoas a povoam. A sua destruição pura e simples, como propugnam os fundamentalistas islâmicos, seria um crime. O crime que foi o dar o território dos palestinianos aos judeus, não se apaga com o crime de exterminar os israelitas. Não esqueçamos que os palestinianos, vítimas da prepotência sionista, são também flagelados por um clero islamista fanático, sem escrúpulos. Há quem elogie muito o carácter poético da Bíblia, sobretudo no Antigo Testamento. É um livro perverso. A montante serve de base a um judaísmo que, ao longo dos séculos tem sido vítima de perseguições e agora passou à condição de verdugo; a jusante, um islamismo fanático e irracional. No meio um cristianismo mafioso, motor de cruzadas, inquisições e de injustiças sociais.

Na Palestina, duas dessas ideologias religiosas se enfrentam e, entre dois ódios, exposta, está a fragilidade de seres humanos. Repito o que, a propósito disse – Não se deve desistir da utopia de um estado em que judeus, muçulmanos, cristãos, ateus, convivam pacificamente. É uma utopia própria de quem vê o problema do exterior. Não agrada nem a judeus nem a palestinianos.

Mas é a única solução digna de seres humanos.

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