SALAZAR E A I REPÚBLICA – 59 – por José Brandão

A moral política dia a dia mais se relaxa e perverte. As câmaras são já como que as antecâmaras das casas bancárias, e a política um meio de fazer fortuna. Quem entra na carreira começa por bramar contra a finança, adere depois ao conservantismo, penitenciando-se das verduras da mocidade, e acaba por se introduzir na gerência dos bancos, como fruto da idade madura.

(…)

A coisa chegou a ponto que até já os políticos se aproveitam da sua situação ministerial para se instalarem nos chorudos lugares das companhias.

Por outro lado já não há partidos, mas partidos de partidos, facções de facções hordas indisciplinadas e guerrilhas de franco-atiradores».

Eram opiniões de dois ilustres defensores da causa republicana que não pactuavam com as desgraças que se anteviam no futuro da República.

Desgastado, incapaz de intervir e, sobretudo, de obter a reconciliação da família republicana, Teixeira Gomes renuncia à Presidência em 10 de Dezembro e parte para um exílio voluntário. O fim da República estava para breve.

A eleição de Bernardino Machado para o seu segundo mandato presidencial ocorre na sessão do Congresso de 11 de Dezembro de 1925.

A 18 de Dezembro novo governo presidido por António Maria da Silva, devido à demissão do dirigido por Domingos Pereira. Seria o último governo da 1.ª República.

 

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