TRABALHO, EMPREGO, TROCA DE BENS E DE SERVIÇOS por clara castilho

9349741_b7nUl

Nesta época difícil, em que o dinheiro não chega para cobrir o que considerávamos indispensável, há pessoas a procurarem caminhos alternativos, a repensarem os valores, a encararem a forma de estar na vida de diversas formas. A criatividade é um elemento essencial, a abertura para fazer novas experiências também, assim como a inteligência para perceber o que aqui e agora dará resultado.

Li uma notícia que achei interessante, de uma psicopedagoga de 36 anos, Andresa Salgueiro, que, aborrecida com a vida profissional que  levava, resolveu lançar-se num novo desafio: viver 11 meses, 11 dias e 1 hora com 1111 euros. Falemos só de algumas coisas que relata: deu explicações ou trabalhou em restaurantes em troca de comida, ajudou a fazer currículos em troca de um jantar. Fez limpezas, apanhou fruta e alimentou galinhas. Em troca de uma boleia deram-lhe um telemóvel, tem Internet graças à password de uma amiga.

Além das trocas, precisou apenas de 969 euros. Gastou-os nas despesas do carro (seguro, pneus), nas contas da casa – que também já não paga porque tem uma amiga a viver num dos quartos que em troca paga as despesas – e, pontualmente, em comida.

385311_516359875060983_1007169660_n

Depois disto tudo, ela diz já não ser a mesma pessoa. Fala de um antes e de um depois. “Na minha outra vida, as férias e o conforto estavam acima de qualquer coisa. Esta ideia de que podemos ser felizes com muito pouco é muito engraçada”, diz. Está a preparar um livro, a partir do que ao longo deste ano foi escrevendo no blogue “Believe: Vivo à Troca”, que será para vender assim mesmo. Em troca de qualquer coisa. Para Lisboa também está a estudar a criação de uma loja de trocas, para produtos e serviços. Já fez a experiência no LxFactory durante 11 dias. Para ela não importa se trocamos uma coisa por outra com o mesmo valor ou não, porque isso seria voltar à lógica do dinheiro. “Se eu tenho a mais, posso dar ao outro. Não acredito na troca pelo valor.”

Num mundo em que não se cumprimentam os vizinhos que se encontram no elevador, se teme medo de deixar as crianças brincar na rua, avançar para este tipo de atitudes requer confiança no outro, não ter medo de correr riscos (físicos e outros). Será, até, muito fácil preencher os formulários do IRS… Mas a abertura para olhar de uma outra forma o posicionamento no mundo do consumo é que me parece interessante. À Andresa é que os bancos, companhias de crédito, de internet, televisão, etc. não irão telefonar até ao fim de semana, como acabou de me acontecer, para grande irritação minha…

Leave a Reply