do poemário
a noiva e o navio
nota prévia
a primeira vez que embarcas ves-te envolvida por umha vertigem de palavras estranhas. a ti, que só usaches cordas para brincar quando nena, abruma-te desconhecer a diferência entre um envergue, umha driça, umha ostaga, umha escota ou umha troça. descobres que nom há direita ou esquerda, mas couso e meo; nada cai ou é pousado, todo se arria; viras, aproas-te, orças, arribas, mas de torcer ninguém fala. ninguém leva o volante, senom a cana. umha cana que marca umha bolina, um través, um largo, umha empopada sem ti ter claro aonde é que vas. e nunca aceleras, caças ou arrias escota. escuitas a invocaçom de riços, relingas, vergas, varas, amuras, corredores, câncamos e viras louca a olhar para todas as partes unicamente vendo chismes e cousas.
caes na conta de que estás a entrar num mundo novo, a existir há muito tempo.
susana arins: confissom
mensagem
arrinco dum livro
o meu poema favorito
dobro o papel
ao meio primeiro
os inferiores cantos
vam depois ao centro
deixando umha pestana
e venha a encartar
e vai nascendo um barquinho
a nave de metáforas riscada
entra na garrafa escolhida
[umha dessas de vidro verde
das águas de mondariz]
e levo a garrafa comigo até sagres
ou ao pombeiro às portas da ria
e atiro a garrafa quando corre a maré
para fora
e agora embarco contigo
e navego os mares do mundo todos
e andamos nas correntes e ventos
juntos na viagem na aventura
eu na borda com o truel disposta
ao encontro da garrafa do barquinho
pois é
esquecim memorizar o poema.



Lembrete: podem também recordar o recital poético-musical que juntou Susana Arins e Isabel Rei
http://aviagemdosargonautas.net/2013/01/16/recital-poetico-musical-com-isabel-rei-e-susana-sanchez/