Pentacórdio para Sexta-feira 1 de Março

por Rui Oliveira

 

 

   Na Sexta-feira 1 de Março colocaríamos o destaque nas salas do Centro Cultural de Belém onde decorrem dois concertos, um interessante de “músicas do mundo”, outro português e algo revivalista.

 

SAVINA YANNATOU 1ChristosDrazos

Savina%20Yannatou_0011   No Pequeno Auditório do CCB, às 21h, actua a multifacetada cantora grega Savina Yannatou e a sua estimulante banda “Primavera en Salonico”.  

   No palco estarão assim, além de Savina Yannatou voz, Kostas Vomvolos qanun, acordeão, Yannis Alexandris oud, guitarra, Kyriakos Gouventas violino, viola, Harris Lambrakis nay, Michalis Siganidis contrabaixo e Kostas Theodorou percussão, contrabaixo.

songs_of_an_other_lg   Virão dar a conhecer ao público português, normalmente alheado da world music, o terceiro álbum do grupo “Songs Of An Other” (2008), após o sucesso de “Songs of the Mediterranean” (1998) e “Sumiglia” (2005), lembrando ainda que Savina Yannatou lançou em 2010 um CD a solo “Attikos” (Maya Recordings). 

attikos_md   O grupo voga através de canções tradicionais da Arménia, da Bulgária, da Sérvia, do Cazaquistão, do Sul de Itália além da Grécia, às quais junta um hino da tradição ídiche do século XVI. «Os arranjos de Kostas Vomvolos encontram os traços de união das tradições, enquanto Savina descobre áreas em que a técnica vocal experimental se encaixa nas idiossincrasias do canto tradicional. É nesta gravação mágica, com melodias dolorosamente belas e improvisação inspirada brotando dos arranjos, que se baseia o concerto do CCB» (diz o seu programa).

   Savina Yannatou & Primavera en Salonico cantaram assim ao vivo na Macedonian Opera & Ballet House o tema “Lama Bada” no OFFest de Skopje em Junho de 2010 :

 

 

   Aqui temos a interpretação, em ambiente de clube, do tema armeniano “Sareri Hovin Mernem” pertencente ao álbum “Songs Of Another” (2008) por Savina Yannatou & Primavera en Salonico, seguida de muitas outras canções :

 

 

TIM   Ali ao lado, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às mesmas 21h da Sexta 1 de Março, regressa ao palco após quatro anos Tim, nome musical por que é conhecido o músico português António Manuel Lopes dos Santos (n. Ferreira do Alentejo, 1960), cantor, compositor, baixista, guitarrista e um dos fundadores dos Xutos & Pontapés.

   «Braço de Prata» foi o concerto que apresentou na altura naquela sala. Depois disso gravou o CD Companheiros de Aventura e, no ano de 2012, em Novembro, fez sair o DVD e o CD Ao Vivo, em que a sua voz particular fixou versões novas, em composições próprias e em composições de e com outros autores.

   Agora, Tim volta para um concerto que vai contar com as participações especiais de Celeste Rodrigues, Rui Veloso, Mário Laginha e Vitorino.

   Este é um tema desse concerto anterior “Adeus Serra da Lapa” cantado com Vitorino :

 

    Para ouvir uma sequência de trechos dessa nova gravação dos Companheiros de Aventuras, aqui com Celeste Rodrigues e Vitorino, procure aqui :http://www.youtube.com/watch?v=gmQOh0zLfwA&feature=share&list=PLtNBcHZIIdqjUE8I5Y3VaUX0VTyBhSEDK

 

 

solistas OG 

   Nesta Sexta-feira 1 de Março o serviço Gulbenkian Música, como tem sucedido desde a temporada anterior, proporciona no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h30, um concerto de entrada livre, onde alguns Solistas da Gulbenkian irão abordar obras afins daquelas que foram objecto do concerto da temporada regular que em regra se processou na noite anterior e na tarde daquele dia.

   Sabendo-se, como ontem noticiámos, que a Orquestra Gulbenkian dirigida por René Jacobs tocará às 19h dessa Sexta 1 de Março uma Sinfonia (nº 104) de Haydn e um Concerto (K 622) de Mozart, os Solistas Cristina Ánchel flauta, Pedro Ribeiro oboé, Oleguer Beltran-Pallarés violino, Lu Zheng viola e Martin Henneken violoncelo irão interpretar de :

      Joseph Haydn  Divertimentos (London Trios) Hob.IV:1 e IV:3

      Wolfgang Amadeus Mozart  Quarteto para Oboé e Cordas, K. 370

                                                          Quarteto para Flauta e Cordas, K. 285

 

 

   Antecedendo-o, às 18h (por um período de 45 min), há um Pré-Concerto, novidade introduzida este ano pela Fundação Gulbenkian na sua vertente formativa de públicos, em que a entrada é livre sujeita à disponibilidade de lugares (embora  requerendo levantamento de bilhete).

   Na Sede da FCG, sob a direcção de Pedro Moreira, será analisada uma das obras do repertório erudito apresentadas pela Orquestra Gulbenkian, sendo o principal objetivo desenvolver as capacidades de apreciação musical, evitando termos demasiado técnicos, mas sem receio de explorar os pilares da construção musical.

   Neste Pré-Concerto de Sexta-feira 1 de Março o tema é exactamente o Concerto para Clarinete e Orquestra em Lá Maior, K. 622 de Wolfgang Amadeus Mozart, que ontem referimos e consta do concerto repetido às 19h deste dia.

   Como ontem não o fizémos, juntamos aqui (com as imagens vienenses que se impõem) uma interpretação integral daquele Concerto pela Orquestra do Mozarteum de Salzburgo (como convem) dirigida por Leopold Hager, acompanhada pelo clarinetista Dieter Klöcker :

 

 

 

 

marikalkun 2   No campo musical, assinalemos por fim um Recital de canto e piano que terá lugar às 18h30m desta Sexta-feira 1 de Março na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, de entrada livre (como usual) e por iniciativa da Embaixada da Estónia onde a intérprete Mari Kalkun, canto e piano irá abordar obras de compositores relativos à música tradicional da Estónia.

    Encontrámos este registo recente (2011) onde Mari Kalkun entoa uma canção tradicional “Üü tulõk” :

 

 

 

 

   Por último, como temos praticado, alertamos para o encerramento no próximo Sábado 2 de Março da exposição do artista angolano Ricardo Angélico intitulada “Freak Out” na galeria Carlos Carvalho – Arte Contemporânea  (Rua Joly Braga Santos, Lote F, r/c, Lisboa).

ricardo 2   Como assinala elogiativamente o crítico Celso Martins (in Actual) «… Seguindo um caminho marcadamente solitário e alheio a tendências dominantes, Ricardo Angélico (n. 1973) vem criando desde finais dos anos 90 um corpo de trabalho particularmente consistente, que, podíamos dizer, assenta em algumas coordenadas cruzadas mas persistentes de série para série e que convergem para um interesse pelo modo como a pintura organiza a realidade, aquém e além do visível, numa ordenação não evidente …».

Ricardo_Angelico_FO1   E acrescenta o press release que “ Ricardo Angélico utiliza a desconstrução como janela de observação dos modos de representação e a formação do conhecimento, chamando a atenção para o modo como apreendemos as coisas fora do pré-concebido. Para isso, monta uma rede de fios narrativos que resulta da multiplicação e da sobreposição de pequenos fragmentos desconexos entre si, porque são retirados do seu contexto original, mas que têm um acentuado significado individual … ricardo angélico

… Na sua série mais recente também apresentada nesta exposição, Ricardo Angélico elabora um banco de registos fisionómicos, baseado também nas aproximações biográficas, que forma um compêndio de sobreposições de três figuras notáveis, tendencialmente de áreas culturais diferentes. ricardoParte de um processo de registo e de circunscrição de determinadas características físicas pessoais, desenvolvido por Galton no século XIX, a que correspondia um sistema de valoração que reflectia o tipo de educação, de experiências e de vivências da geração em que o indivíduo se inseria – tornando-se uma base propagandística fundamental para justificar a separação de classes. Este conjunto de trabalhos são exercícios que pretendem prender os traços fisionómicos de um conjunto de personalidades escolhidas pelo artista e que constituem o seu próprio quadro de notáveis (Fritz Lang, Peter Brook, Ingmar Bergman, p.ex.)”.

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(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)

 

 

 

 

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