REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

UNIÃO EUROPEIA: A GUERRA QUE POR AÍ PODE

CHEGAR,

por Rodolphe Pourrade

Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota

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(conclusão)

7.  Itália

Depois do golpe de  estado de Mário  Monti, o professor elogiado por toda a imprensa  bem pensante na Europa, este  sentiu o gosto desagradável da ida às urnas . As eleições prometem na melhor das hipóteses um governo de coligação  sem qualquer consistência  e sem qualquer  margem de manobra. Mas,   com uma taxa de participação muito baixa para a Itália, a campanha claramente muito anti-europeia feita por  Berlusconi e o enorme sucesso do movimento 5 estrelas liderado pelo comediante Beppe Grillo que quer sobretudo  que se faça um referendo   sobre a saída do euro, é o conjunto de casta bancária de  Bruxelas  que é aqui fortemente recusada. Quase 6 em cada  dez eleitores, educadamente, disse-lhes educadamente  “vaffancullo” , vá levar no…cú! Até ao  momento  os remédios de Mário  Monti  só deram como perspectiva  um  aumento contínuo do desemprego e uma recessão de – 1% prevista para 2013.

8 . Grâ-Bretanha

A recente declaração do conservador Cameron para acrescentar mais picante à situação e para fazer subir a sua parada antes da Cimeira Europeia em que sugeriu a realização de um referendo sobre a saída da EU, diz-nos muito sobre o estado de decomposição avançada do seu governo, do seu partido e do seu país. Há já alguns dias atrás, o país perdeu o famoso AAA de  rating . A sua política de austeridade é combatida nas ruas com manifestações de uma dimensão de que a velha Albion já tinha esquecido desde há  décadas. É também na Grã-Bretanha que a pobreza progride. O seu aliado da coligação , os Lib-Democratas tiveram  um revés eleitoral enorme  a quando das eleições parciais.  Oficialmente, o reino prevê um crescimento da ordem de 1%  no próximo ano mas ao mesmo tempo em que a dívida não deixa de continuar  a crescer.

9. Irlanda

Devido a uma tributação mais que generosa para os investidores estrangeiros, o país está este ano a aplicar o seu sexto plano de austeridade. O ano de 2013 deve marcar o regresso da Irlanda aos mercados. No entanto a recuperação económica continua a ser muito tímida, e o país continua sob assistência respiratória do FMI e do BCE desde 2010.

10. Holanda

As últimas eleições legislativas deram a vitória aos trabalhistas e aos liberais pró-europeus. Agora, o país está a enfrentar grandes dificuldades sobretudo desde 2012. Com um PIB que caiu 1,1% no terceiro trimestre de 2012, a economia da Holanda  diminui mais rapidamente do que as previsões mais pessimistas. Esta recessão segue-se a  dois trimestres de estagnação. O último relatório da UVW – equivalente ao Instituto de Emprego  – é alarmante: em 2011, o número de contratos de duração indeterminada assinados durante o ano diminuiu  de 97%,  passando de 83.000 em 2010 para 2.000 no ano seguinte. Além disso, o Organismo  do Plano  prevê uma diminuição do poder de compra de 25% para os  reformados e de 30% para  os beneficiários da assistência social no próximo ano… Quanto às previsões para 2013, estas  sugerem um declínio no PIB na ordem de  0,4%.

11. França

A França vai bater um recorde quanto ao número dos  seus desempregados. Se nós tomamos como referência os desempregados sem qualquer actividade e em França o país vai passar a fasquia dos  3,2 milhões. Considerando-se os domínios de além-mar e outras categorias de desempregados, a fasquia de 5 milhões é então  atingida. O crescimento deve ser, na melhor  das hipóteses,  ligeiramente maior que 0. Para o ano fiscal de 2014, faltam já, em Fevereiro de 2013, 6 mil milhões de euros. A redução do défice público será modesta. No melhor, ficar-se-à pelos 3,7%. Como por  toda a parte, a proposta de remédio para a cura é bem pior que a doença: acentuação das políticas de rigor, seja por cortes nas   despesas públicas seja  ainda pelo aumento da tributação. Por outras palavras, todos os indicadores estão no vermelho, mas acelera-se ainda mais para rapidamente perder a carta de  condução. Felizmente, a situação social é calma e a França parece estar num estado de sonolência. Desembaraçada da  heresia sarkozysta  a França  gastou num só mês  100 milhões de euros no Mali. O ano de 2013 será sem eleições, a juventude  terá uma taxa de  desemprego que será  cerca de 30% para esta faixa etária , os reformados curvarão a espinha  face ao aumento da sua tributação, os consumidores  reduzirão  ligeiramente  os seus  gastos face ao aumento do IVA,  os funcionários  vergar-se-ão   voluntariamente face aos    congelamento dos seus pontos de  índice. A Presidência de François Hollande  não mudou em nada a  política económica seguida antes pelo  seu antecessor, os descontentes só saem às ruas para impedir que os homossexuais se  possam casar. Circulem, não há nada para ver.

12. Alemanha

A saúde da Alemanha  é o barómetro europeu mais confiável.  Ora, a maioria dos seus indicadores estão no vermelho . Este último trimestre foi marcado por uma forte queda no PIB além Reno . Tradicionalmente são as exportações alemãs  que impulsionam o seu  crescimento. No entanto, estas  fazem-se  principalmente   com os parceiros europeus que agora  começam a debater-se com dificuldades para importarem . As previsão para 2013 são pessimistas e vão, não haja  dúvida, ainda degradarem-se ainda mais  nos próximos meses. O seu PIB deverá crescer  não mais que 0,5%, de acordo com Bruxelas. Nada nos diz que a calma social continuará  aí a reinar de forma duradoura .A compressão dos salários que durou quase 10 anos atingiu já os seus limites. As medidas de desemprego parcial e de flexibilidade  que têm sido tão cheias de elogiadas    não nos parecem agora capazes de preencher as falhas de sistema: Thyssenkrupp,  o número 1  do aço por exemplo planeia eliminar  2.000 postos de  trabalho . O ano de 2013 é um ano de eleições na Alemanha. A recondução de mandato para Merkel se manter no poder significará que esta irá assinar  um novo contrato de 5 anos com a iníqua   austeridade que está a atingir toda a Europa. A chegada dos social-democratas não iria perturbar ou mudar as coisas nesta frente .  A menos que haja uma surpresa ou um colapso espectacular da economia alemã, tudo indica que o fundo macroeconómico desta Europa não irá evoluir significativamente na sequência destas  eleições. A Alemanha é bem a chave fundamental deste  non sense da política continental.

Esta visão geral da situação do velho continente neste início de 2013, nunca deixa de nos  surpreender. O caos político e social está assim  instalado  e instala-se  no quadro de um enorme torpor. Os medos  emergem, o pensar apenas em si aumenta , a xenofobia está enraizada em todos os lugares, mas basicamente nada parece estar em condições de amadurecimento para ser capaz de se mudar. A globalização é um processo imparável, dizem-nos por todos os lados, a única maneira é a de nos termos que nos  adaptar. Os bancos são grandes demais para serem regulados ou abandonados, deixemo-los então fazerem. O mundo é complexo, o estrangeiro é  de contornos não  definidos, ignoremos então  a Síria, o Egipto e a Tunísia. Os Estados Unidos são os nossos amigos, empenhemo-nos então em conjunto para criar um mercado transatlântico em comum. As regiões são o futuro, deixemos então os Estados decomporem-se. Raramente na história uma tal renúncia à escala de  todo um continente de 600 milhões de almas foi  tão manifesto. “Que bom?” essa é a filosofia dominante nos media e nos discursos. Quanto aos actos, é necessário  encontrar para cada medida voluntarista  o seu dique correspondente  para limitar a extensão dos seus efeitos e para a tornar mesmo inoperante. O imigrante enquanto bode expiatório tem ainda belos dias à  sua frente  mas em toda parte o que é que se ouve ? Em Paris, Lisboa ou Atenas:  os culpados são os alemães . Em Barcelona ouve-se : a culpa é de  Madrid. Na Flandres, a culpa para os valões. Na Inglaterra, a culpa é de  Bruxelas que nos desprezam ! Na Lombardia: expulsem os sicilianos ! O nacionalismo, o regionalismo são os recursos fáceis para os povos em grande dificuldade. O simples aparecimento e crescimento de Aurora Dourada,  partido neo-nazi grego,  deve preocupar-nos e bem seriamente. Mas nada é feito, a UE não tem nada a oferecer aos povos que a compõem que não seja as milícias, as rusgas,   os abusos, as violências .

O salto consentido para o abismo atrai decididamente os  governantes europeus, enquanto  que os povos, ignorados, contornados,  desprezados  do  “Atlântico aos  Urais” perdem as  suas referências  e não tem outra escolha que não seja a de fecharem as suas portas e janelas, barricando-se, enquanto se espera a deflagração.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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