Em Abril de 1962 estou eu na cidade de São Paulo. sentado numa esplanada junto á Biblioteca Municipal, a beberricar uma cerveja. Levanto os olhos e vejo o surrealista Mário Henrique Leiria a passar, muito apressadinho.
– Mário, ó Mário Henrique, ó grande sacana!
O abraço muito apertado. Contas-me das tuas traduções de ficção científica para a colecção Argonauta. Sempre a conversar e a recordarmos os tempos idos em Lisboa (lutas e regabofes) cruzamos a Itapetininga e descemos a Avenida de São João até ao Vale do Anhangabaú. Apanhamos um autocarro, levo-te para minha casa. Apresento-te a minha mulher. Ela improvisa um jantar para o inesperado convidado. Acabas por felicitá-la pelo excelente caldo Knorr que, num instante, preparara. Gargalhadas e assim irrompe amizade bem-humorada…
Eu e a minha mulher temos três filhos com 7, 5 e 3 anos. Transformas os teus joelhos em cavalinhos e, enquanto os miúdos cavalgam, os teus dedos não se cansam de encharcá-los com cócegas desde o pescoço até aos pés…
Dois anos depois, ó Mário, desapareces de São Paulo, perco a tua pista. Porém, por portas e travessas, saberei que localizaste a Fipsy em Recife. Afinal foi o amor… Melhor dizendo: foi a paixão que te puxou de Portugal para o Brasil…
