A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.

edição da Secker and Warburg, de Londres. O livro surgiu numa Inglaterra que sangrava ainda das feridas da Segunda Guerra. O romance marcou indelevelmente a literatura do século XX e descreve o quotidiano de um regime totalitário, mostrando como uma sociedade oligárquica e repressivamente colectivista pode destruir quem a ela se oponha. Orwell narra com brilhantismo um futuro de pesadelo baseado nos absurdos do presente. Escrito em 1948, diz-se que por pressão dos editores, os dois últimos dígitos foram invertidos, dando lugar a 1984.
Obviamente inspirado na opressão dos regimes totalitários que, naquele final dos anos 40 ainda estava bem presente na memória de todos, o romance de Orwell critica o fascismo e o estalinismo, mas também todo e qualquer processo de controlo do indivíduo em nome dos supremos interesses da sociedade. Mas houve quem visse no romance o que queria ver, sendo considerado por muitos, quando da sua publicação, uma crítica ao socialismo e ao Partido Trabalhista. Numa carta escrita meses antes da morte, Orwell esclareceu que era um socialista convicto (combatera pela República, na Guerra Civil de Espanha, sendo ferido). Avisava que o totalitarismo, venha de onde vier, da direita ou da esquerda, «se não for combatido, pode triunfar em qualquer sitio». No ensaio Why I Write (Por que escrevo), auto-designou-se como «socialista-democrático».