PERIGOS E INCONVENIENTES DO PASTOREIO PARA AS CRIANÇAS por clara castilho

O relatório da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura   – sobre “Trabalho infantil no mundo rural”, indica que é precisamente na  agricultura que se encontra maior número de crianças trabalhadoras.

Sabe-se que a redução deste facto só é possível com a implicação directa dos governos, das cooperativas agrícolas e das famílias rurais, para que se encontrem alternativas a estas práticas, muitas vezes derivadas da luta pela sobrevivência.

Muitos destes trabalhos confiados às crianças são perigosos e potencialmente nocivos. Quando se trata das crianças que cuidam de animais, recebem menos atenção do que nos trabalhos agrícolas, onde se tem já tentado intervir.

As crianças começam muitas vezes a trabalhar aos 5, 7 anos. As situações são variadas, umas pastoreiam algumas horas por semana, o que lhes permite ir à escola, e outras dias e dias seguidos e ficam sem hipótese de escolarização. Muitas vezes fazem-no obrigados, em situação de escravatura.

O seu desenvolvimento físico também fica afectado, assim como o mental, moral e social. O facto de estar directamente em ligação com o gado, aumenta o risco de doenças, de acidentes directos, ou como vítimas de outros animais.

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O seu sub-director, Sundaram, afirma que «o trabalho das crianças impede as oportunidades de emprego decentes que se podem oferecer aos jovens, sobretudo quando interfere na educação escolar”. Os esforços devem concentrar-se sobretudo nos factores que conduzem à entrega desses trabalhos às crianças, sem pôr em risco a sobrevivência das famílias rurais pobres. O estudo da FAO compila e analisa as informações disponíveis, a partir de pesquisas que documentam e da consulta com organizações e peritos em trabalho infantil.

Para 70 % dos 880 milhões de rurais pobres, que vivem em todo o mundo com menos de um dólar por dia, o gado leiteiro é uma fonte parcial de segurança alimentar. Durante séculos as comunidades pastorais implicaram as suas crianças em actividades ligadas ao gado, transferindo conhecimentos de geração em geração.

No entanto, as populações começam a reconhecer que a educação para as suas crianças é importante e são favoráveis a que frequentam a escola.

Neste momento há novas possibilidades de educação das crianças, como a aprendizagem à distância, as escolas móveis, programas de alimentação escolar e de transferências monetárias. As soluções que se procurem têm que leva rem conta as situações socio-culturais das comunidades, com apoio aos lideres, aos pais, e aos empregadores de crianças. Isto na procura de uma identidade de educação, oferecendo às crianças melhores perspectivas de emprego, no interior desta área de pastoreio, mas não só.

As conclusões do estudo irão servir de base a debates antecessores da Conferência Mundial sobre o Trabalho Infantil que se realizará em Outubro próximo no Brasil.

 

 

 

 

 

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