RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota

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O grande esvaziamento de Portugal

Edward Hugh

Parte III

(CONCLUSÃO)

Mas se há uma falta de crescimento quer a nível do PIB quer a nível dos  jovens, adicionalmente,  e para piorar a situação,  o que não  falta é  dívida. A dívida pública bruta em percentagem do PIB atingiu cerca de 120% do PIB no ano passado. E não é apenas a dívida do sector público, o sector privado português devia cerca de 250% do PIB no final do ano passado, de acordo com os registos do Eurostat, o que é um dos níveis mais elevados da UE.

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Pior ainda é a posição do país em termos de investimento internacional líquido em que teve um saldo negativo de quase 110% do PIB, o pior da UE.

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Este último detalhe é importante, pois de acordo com a teoria económica convencional é  a redução de activos no exterior  (que tenham sido adquiridos por fundos de pensões e de outras  poupanças) que as sociedades mais envelhecidas  podem ajudar a satisfazer as suas pensões e os seus  passivos em  saúde (o caso do Japão). Mas em Portugal longe de se estarem a colher retornos sobre esta conta, o pagamento para estas rúbricas ou os juros sobre elas vai constituir uma drenagem de recursos públicos por muitos anos vindouros.

Assim, com menos pessoas a trabalhar e a pagar o sistema de segurança social, com menos PIB e com dívidas enormes os números simplesmente não batem bem. Este ano vamos ver os níveis do PIB  que foram vistos pela última vez já em 2000.  Ainda, no seu mais recente relatório da consulta ao abrigo do artigo IV, o FMI e ao mais alto nível, “saúda os impressionantes esforços das políticas económicas feitos pelo governo português para gradualmente reduzir  os desequilíbrios acumulados e prevenir  crises futuras”. Como é que é possível dizer-se isto e manter um ar sério, quando se está a falar de um país que está. na verdade, e pela aplicação dessas políticas   a viajar realmente para trás no tempo? É uma realidade que nos é muito difícil de entender. Parece cada vez mais que Fundo Monetário Internacional está a sofrer ou a ter a falta de um “voo para a integridade” e está a relegar-se ele próprio ao papel de um órgão de relações públicas para um grupo de atrapalhados políticos europeus.

A profundidade da ignorância que existe sobre os desafios que o país enfrenta foi revelada no ano passado, quando o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, na verdade, disse que a melhor solução para o problema do desemprego dos jovens era que os jovens emigrassem. Estamos cada vez mais a trabalhar com problemas novos e complexos que nos são levantados no século XXI e que queremos resolver com o auxílio de fórmulas simplistas derivadas de [ maus] manuais de economia do  século 20. É tempo de  alguém e algures  acordar para o facto de que os velhos modelos  não funcionam, porque há  cada vez mais um número cada vez maior de  fatores-chave que eles simplesmente não captam.

Os fracos  resultados dos economistas que aplicam esses   modelos estão  cada vez mais a  colocar esta profissão  ao nível da muito má fama entre o público em geral. O programa das  outright monetary transactions de Mario Draghi pode muito bem estar a fazer um trabalho maravilhoso ao  abordar a questão da fuga de capital financeiro, mas oferece poucas [ou mesmo nenhumas] soluções para o caso do capital humano. Na ausência de políticas que reconheçam   a existência destes  problemas e que os enfrentem, o que poderemos dizer é que nenhuma  das análises de sustentabilidade sobre  – a dívida, o sector financeiro, seja o que for –  vale   o papel em que elas mesmas forem  escritas.

Eu criei uma página no Facebook dedicada à campanha para a UE a levar esta questão mais a sério, em particular, insistindo sobre os  Estados-membros  para  que pensem  o problema de forma mais adequada e que o  Eurostat incorpore  as  migrações populacionais como um indicador no Painel de Avaliação do Procedimento relativo aos Desequilíbrios Macroeconómicos exactamente da mesma maneira que são considerados os saldos da balança corrente. Se concordarem comigo que este é um problema importante a que deve ser dada mais importância, por favor, clique “like” na pagina de Edward Hugh. Sei que se trata de uma pequena  iniciativa  face ao que se pode vir a  tornar um grande problema mas,  às vezes,  as coisas grandes precisam de pequenas sementes para crescer.

Página de Edward Hugh  onde pode clicar a tecla “Like” :

http://www.facebook.com/PopulationLossOnTheEuropeanPeriphery

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