O DESCALABRO ECONÓMICO E SOCIAL EM PORTUGAL JÁ PREVISTO – por Eugénio Rosa

DESCALABRO ECONÓMICO E SOCIAL EM PORTUGAL: a consequência de uma política recessiva que desde o início já se sabia que ia ter estes resultados – II

(continuação)

EM 3 ANOS DE “TROIKA” E DE GOVERNO PSD/CDS PORTUGAL DEIXOU DE PRODUZIR ENTRE 91.468 MILHÕES € E 142.273 MILHÕES € DEVIDO AO DESEMPREGO

 

O aumento brutal do desemprego e a destruição maciça de emprego tem causado uma perda enorme de riqueza como os dados indicativos do quadro 2 revelam.

 Eugénio Rosa - catástrofe - II

Em três anos de “troika” e de governo PSD/CDS, tomando como base de cálculo o PIB criado por cada empregado (para o obter divide-se o valor total do PIB de cada ano pelo total de empregados), o valor do PIB que podia ter sido criado e não foi, devido ao facto dos desempregados não terem trabalho e, consequentemente, não poderem produzir, varia entre 91.468 milhões € e 142.273 milhões €, se consideramos o desemprego oficial ou o desemprego real respetivamente, o que corresponde entre 55% e 85,5% do valor do PIB total de 2012. Estes números, embora indicativos, dão já uma ideia da dimensão da riqueza que é perdida/destruída em Portugal devido à política recessiva de destruição de emprego.

AS CONTINUAS ALTERAÇÕES DAS PREVISÕES DO VALOR DO DÉFICE, E O DÉFICE REAL SER SEMPRE SUPERIOR, MOSTRA QUE A “TROIKA” E O GOVERNO SÃO INCAPAZES DE COMPREENDER A REALIDADE DA ECONOMIA E DO PAÍS

O “folhetim” das continuas alterações das previsões do défice elaboradas pela “troika” e pelo governo, e a incapacidade, apesar de todas essas alterações, de acertar, mesmo de uma forma aproximada, com o valor défice real final, mostra bem a incapacidade quer da “troika” quer do governo em compreender a economia e a sociedade portuguesa. O quadro 3, para além da previsão de défice constante do “Memorando” inicial, assinado em Maio de 2011, contém também as previsões da “troika” e do governo feitas na 6ª avaliação (Nov.2012) e na 7ª avaliação (Março de 2013), assim como os valores reais do défice registados no fim do ano de 2011 e de 2012.

Eugénio Rosa - catástrofe - III 

No “Memorando” assinado em Maio de 2011, previa-se, para 2011, um défice orçamental de 5,9%, mas o défice real, sem medidas criativas, mas com medidas temporárias (ex. corte nas remunerações da Função Pública) atingiu 7,4%. Se comparamos com o valor do défice real de 2010 – 9,6% – conclui-se que se verificou uma redução de 2,2 pontos percentuais. Para 2012, estava previsto no “Memorando” inicial um défice de 4,5%, na 6ª avaliação foi fixado um novo valor – 5% – mas o défice real, segundo Vitor Gaspar, atingiu 6,6% em 2012, o que significa, em relação ao défice real de 2011 (-7,4%), uma redução de apenas 0,8 pontos percentuais. E isto com o confisco dos subsídios à Função Pública e pensionistas e com corte das remunerações dos trabalhadores das Admnistrações Públicas. Portanto, em dois anos (2011 e 2012) o défice orçamental real foi reduzido em 3 pontos percentuais (31,3%), pois passou de 9,6% para 6,6%. Para os anos de 2013/2015, como revelam os dados do quadro 3, as previsões já sofreram significativas alterações. Por ex., a previsão do défice orçamental para 2013 que era no “Memorando” inicial de 3%, na 7ª avaliação da “troika” de Março de 2013 passou para 5,5%, portanto um desvio de +83,3%. São erros demasiadamente frequentes e muito elevados que revelam também uma incapacidade de compreender a realidade económica, e as suas leis fundamentais.

(continua)

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