RAFAEL BORDALO PINHEIRO NASCEU NESTE DIA (HÁ 167 ANOS)

Rafael Bordalo Pinheiro nasceu em Lisboa no dia 21 de Março de 1846. A sua biografia é sobejamente conhecida – a sua arte como desenhador eImagem1 aguarelista, as suas mordazes caricaturas, a sua obra como ceramista… No meio de tanto e diversificado talento, foi a sua criação da figura do Zé Povinho que o imortalizou. Houve também o António Maria, a revista satírica a que deu vida. Os tempos eram outros, nesse último quartel do século XIX, embora os problemas de fundo não fossem assim tão diferentes como isso – incompetência e pouca honestidade dos políticos.
Em 1871, António Maria Fontes Pereira de Melo (1818-1887) foi nomeado primeiro-ministro.  Desde 1851 que vinha ocupando diversas pastas em vários governos Em mais dois governos, ocupou o lugar de chefe do Governo até 1887. Membro do Partido Regenerador, manteve-se por quase quatro décadas na cena política. A sua política de fomento, de desenvolvimento das obras públicas, nomeadamente das comunicações, ficou conhecida por «fontismo». É impossível ficar tanto tempo colado ao poder sem que haja rabos-de-palha.  O humor cáustico de Bordalo Pinheiro, escolheu-o como alvo da suas sátiras. Deu mesmo o nome do político a uma das suas revistas «O António Maria».  No seu editorial de apresentação, «O António Maria» afirmava-se como independente. Dizia «ser oposição declarada e franca aos governos, e oposição aberta e sistemática às oposições». Digam lá se esta não é precisamente uma posição lúcida e que, nos dias de hoje, faria todo o sentido? O que não sabemos é se haveria poder de encaixe para aceitar uma revista que se chamasse «O Coelho».

Imagem1O nosso Zé Povinho não é um parvo, nem foi uma figura criada pela burguesia (embora Bordalo Pinheiro, pertencesse a uma família burguesa) – será crédulo e humilde, manso e céptico, às vezes desconfiado, mas nunca parvo. Resmunga, protesta, mas depois lá vai votar num dos verdugos. É uma besta de carga em cima da qual cai todo o peso da desonestidade e da incompetência dos outros, dos tais senhores de fato cinzento ou azul escuro, de gravata e carros topo de gama. Os senhores que mandam no País.

Rafael Bordalo Pinheiro, a propósito da mudança alternante de governos disse: «O Zé Povinho olha para um lado e para outro e… fica como sempre… na mesma». Mas como não é parvo, apenas manso e crédulo, um dia a paciência pode esgotar-se-lhe. E quando o Zé deixa a sua mansidão e credulidade e se zanga, transforma-se num grande problema para quem o tiver atormentado. Depois não se queixem.

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