A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
aguarelista, as suas mordazes caricaturas, a sua obra como ceramista… No meio de tanto e diversificado talento, foi a sua criação da figura do Zé Povinho que o imortalizou. Houve também o António Maria, a revista satírica a que deu vida. Os tempos eram outros, nesse último quartel do século XIX, embora os problemas de fundo não fossem assim tão diferentes como isso – incompetência e pouca honestidade dos políticos.
O nosso Zé Povinho não é um parvo, nem foi uma figura criada pela burguesia (embora Bordalo Pinheiro, pertencesse a uma família burguesa) – será crédulo e humilde, manso e céptico, às vezes desconfiado, mas nunca parvo. Resmunga, protesta, mas depois lá vai votar num dos verdugos. É uma besta de carga em cima da qual cai todo o peso da desonestidade e da incompetência dos outros, dos tais senhores de fato cinzento ou azul escuro, de gravata e carros topo de gama. Os senhores que mandam no País.