EXPO-VIRTUAL – HOJE, ÀS 14 HORAS, O QUINTO QUADRO DE VASCO DE CASTRO É COLOCADO NA GALERIA

Nesta penúltima chamada de atenção relativamente ao artista do dia, depois de termos publicado opiniões sobre a obra de Vasco de Castro, vamos aaprofundar um pouco mais o que sabemos sobre ele. Com a devida vénia, transcrevemos do JPN – Jornalismo Porto Net – Jornal Digital da Licenciatura em Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria, Multimédia da Universidade do Porto – excertos de uma entrevista com Vasco de Castro. A entrevista foi conduzida por Amanda Ribeiro.

O cartoonista Vasco de Castro, em Paris desde 1961, foi o principal dinamizador do Comité de Ligação Trabalhadores-Estudantes português, nicialmente com sede na própria Sorbonne. “O

meu envolvimento foi total. Constituíamos uma espécie de ‘tropas organizadas'”, descreve o artista plástico (…) “Eu era o burocrata de serviço”, brinca Vasco de Castro ao descrever as suas funções no grupo. Foi durante a ocupação da Casa de Portugal que o líder do comité viveu um dos momentos que mais gosta de recordar. “Nesse período um dos residentes era o padre Felicidade Alves, que tinha tido problemas com o cardeal Cerejeira. Mas eu sempre que via um padre pressuponha que era um apoiante do regime. Até que, um dia, ele vem ao meu gabinete com um embrulho e diz-me: ‘Amanhã vou para Lisboa e vou tomar uma posição muito firme em relação ao regime. Tenho aqui uma prenda para si e para os seus camaradas’. Era uma garrafa de Vinho do Porto. Pensei logo, ‘Olha, este padre é dos bons!’”.

Vasco de Castro considera que o comité foi “muito importante para despertar novas energias na esquerda política em Portugal”, graças ao “ataque aos aparelhos de poder pelos académicos” que inspirou o movimento estudantil português. (…) “Paris demonstrou que as pessoas podiam fazer alterações profundas em termos políticos”, o que, na opinião do artista plástico, garantiu “novas ideias e comportamentos” às gerações de hoje

 Apesar da criação de Comités de ligação entre trabalhadores e estudantes, Vasco de Castro acredita que nunca houve a intenção de tomar o poder ou formalizar o movimento estudantil. “A dada altura surgiu o grito ‘Vamos ocupar o Eliseu!’ e foi recusado de forma quase unânime. O problema não era esse. Combatia-se por ideias de mudança”, ressalva o então líder do comité português.  Também a escritora Teresa Rita Lopes, então exilada, defende esta ideia. “Na Sorbonne, vi o grupo do Daniel Cohn-Bendit entrar para uma conferência.  E perguntaram-lhe se o movimento não se deveria tornar num partido. Ele negou porque acreditava que se houvesse institucionalização, o movimento tomaria outra posição e rumo”.

Para a antiga estudante da Sorbonne frases como “É proibido proibir” demonstram que o movimento era “contra as instituições” e, por isso, “contra os partidos”.

 LOGO,  ÀS 14 HORAS, O QUINTO QUADRO DE VASCO DE CASTRO (SEMPRE SOBRE FERNANDO PESSOA) É-NOS MOSTRADO.

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