RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Como é que Chipre chegou a esta situação

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Fabrice Nodé-LangloisService infographie do Le Figaro

Texto enviado por Philippe Murer, Membre du bureau du Forum Démocratique, Président de l’association Manifeste pour un Débat sur le libre échange
Chipre - IVOs cipriotas manifestaram-se na segunda-feira em frente ao Parlamento contra o plano de ajuda europeu
Créditos photo : PATRICK BAZ/AFP

Infografia- Os bancos cipriotas, cujos activos têm um valor equivalente a oito vezes o PIB, foram arrastados pela Grécia onde perderam 5 mil milhões de euros. Mas esta crise é enxertada num país já enfraquecido pelos défices e pela recessão.

A pequena República de Chipre pesa apenas 0,2% do PIB na zona euro, os valores a propósito do seu resgate financeiro dão-nos vertigens.

Que se julgue então: as necessidades de financiamento mencionadas nos últimos meses rondam à volta de 17 mil milhões de euros, ou o equivalente do PIB do país. Como é que a metade sul da ilha, membro da zona euro desde 2008, muitas vezes chamada a “Suíça do Mediterrâneo”, chegou até aqui, chegou a esta situação ?

A primeira resposta é dada por uma só palavra: Grécia. A República de Chipre, com uma pequena população de um milhão de pessoas apenas, de religião Ortodoxa e que fala grego, foi particularmente exposta à situação financeira de Atenas. Há um ano, quando a União Europeia impôs uma desvalorização sobre a dívida grega, entre 73% e 80% dos créditos dos bancos cipriotas estavam aplicados em títulos do tesouro grego que se transformaram assim em fumaça. Gerou-se assim  uma perda de 4 a 5 mil milhões de euros para os bancos da ilha. A esta perda seca adicionou-se uma taxa de créditos não rentáveis ‘empréstimos non-performing’, sendo este o nome que é dado aos créditos que enfrentam dificuldades no seu reembolso. Os bancos cipriotas tinham emprestado às famílias e às empresas gregas, no montante de € 23 mil milhões. Na Primavera de 2012, entre 10 e 14% destes empréstimos foram consideradas “não realizáveis” por Bruxelas. O terramoto grego levou Nicósia a nacionalizar com precipitação o banco Laiki Bank, a segunda instituição bancária no país.

No entanto, em Chipre, a fragilidade do sistema bancário afecta toda a economia bem mais do que noutros lugares. Esta desenvolveu-se de há um quarto de século para cá em torno de serviços financeiros através de uma tributação muito atractiva – o imposto sobre as sociedades é o mais baixo na União Europeia, 10%. “Os activos bancários representam oito vezes o PIB,” lembram-nos os peritos do banco  Natixis. Entre os capitais estrangeiros chegados em massa, os que vêm da Rússia representam cerca de 20 mil milhões de dólares (15 mil milhões de euros). Os investidores russos estão à procura de rendimentos suculentos e de  uma segurança jurídica mais confortável do que na Rússia. Uma parte desses activos, denuncia Berlim, terá a ver com a lavagem de dinheiro.

Se a Grécia precipitou a crise cipriota, ela não a explica totalmente. “Chipre acumulou desequilíbrios  orçamentais e externos durante os anos de boom,” disse Bank of America Merrill Lynch numa nota recente. “Determinadas zonas costeiras também tiveram uma bolha imobiliária”, acrescentou o banco. Na verdade, a década de 2000 foram também os anos de crédito fácil para os patrões como para os particulares .

Quanto ao governo, o único da zona euro que é dirigido por um Presidente comunista (até às eleições de 17 e de 24 de Fevereiro ganhas pelo partido liberal de Nicos Anastasiades), deixou criar uma despesa públicas pletórica sem ter aplicado  as reformas estruturais exigidas por Bruxelas.

Sector público pletórico

A fragilidade financeira da ilha é agravada pela crise económica que asfixia toda a zona euro. No ano passado, o PIB cipriota caiu 2,4% e ainda deve cair mais 3,5% este ano. Num tal contexto, restaurar as finanças públicas, apoiar os seus bancos e honrar as suas dívidas era uma missão impossível sem ajuda exterior. Nicósia enviou  um pedido de ajuda oficial desde Junho passado, mas as negociações com a Troika e com Moscou têm-se arrastado. Os europeus esperavam a mudança de governo, resultantes das urnas na esperança de obter mais reformas,  entre as quais as privatizações .

No final, os peritos europeus estimam que 10 mil milhões de euros serão  necessários para recapitalizar os bancos cipriotas. É o montante da ajuda concedida na sexta-feira em Bruxelas. Mas Chipre ainda precisa de 5 mil milhões para financiar a dívida pública e de 2 mil milhões  para fazer face às despesas orçamentais urgentes. O projecto de taxa  sobre os depósitos bancários, que abala a ilha e que inquieta os mercados europeus, destina-se a contribuir para estas necessidades, de cerca de 5,8 mil milhões de euros.

Chipre - V

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