EDITORIAL: A COREIA DO NORTE

Diário de Bordo - II

 

Periodicamente a Coreia do Norte aparece nos cabeçalhos & noticiários, normalmente sob aspectos pouco favoráveis. Ora é porque testou um míssil ou experimentou uma bomba atómica, ora é por que o seu povo passa necessidades, ora é a sua liderança que é mostrada também sob uma luz pouco favorável. Entretanto, apresenta-se como um país socialista, embora apresente aspectos que não condizem com o colectivismo, ou mesmo com a democracia em geral, como a renovação da sua governação através de um regime sucessório. A designação oficial da Coreia do Norte é República Democrática popular da Coreia. Mantém uma embaixada em Portugal.

Nos últimos dias tem-se assistido a um recrudescimento da tensão na península da Coreia. Parece haver uma ameaça iminente de um conflito de grandes proporções na região. As notícias são no sentido de o regime da Coreia do Norte ter posto o país em ordem de batalha, estando a impor restrições em todas as comunicações e relacionamento com a Coreia do Sul. Embora muitas opiniões apontem no sentido de se tratar de uma jogada, no sentido de obter vantagens económicas e estratégicas na mesa das negociações, a inquietação que reina nos comunicados da Rússia e da China, países com que a Coreia do Norte tem fronteiras, e que normalmente a têm apoiado, não deixa prever nada de bom. Há razões para crer que a Coreia do Norte estará a utilizar com os seus aliados uma táctica semelhante à que Israel usa com os Estados Unidos, a do segura-me se não vou-me a eles, com intervalos de política do facto consumado.

Fazem-se muitas especulações à volta da situação. Alguns recordam a tensão recente entre a China e o Japão por causa das ilhas de Diaoyu/Senkaku, e o facto de que a potência nipónica tem agora um governo fortemente nacionalista. Outros recordam as marcas deixadas na Coreia pela ocupação japonesa, entre a guerra russo-japonesa de 1904-5, e o fim da segunda guerra mundial, em que foram cometidas atrocidades inumeráveis sobre o povo coreano. Parece opinião generalizada que o cenário é mau, e que uma pequena faísca pode provocar um grande desastre.

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