O PORQUÊ DOS NOMES – SANTA CLARA DE ASSIS – por Clara Castilho

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O porquê dos nomes. Sobre a etimologia, há um excelente dicionãrio de José Pedro Machado – o “Dicionário Onomástico e Etimológico”. Sobre o nome feminino Clara, diz-nos que vem do latim e é atestável  no latim medieval – feminino do adjectivo clarus (brilhante, claro). A divulgação deve-se a Santa Clara de Assis (1194-1253). Por que razão pais ou padrinhos nos atribuem um determinado nome, já é outra história…

No outro dia entretínhamo-nos a saber o porquê de nossos nomes. Pois não sei o porquê do meu. Já não o posso perguntar a meus pais, minha irmã mais velha diz ignorar. Não interessa. Gosto dele, sempre gostei. A propósito dos últimos escritos, encontrei nas cartas de Armando Côrtes-Rodrigues para minha mãe, uma referência ao nome:

“Beije por mim a Cila e a Clarinha. Conhece o livro organizado por Frei Armindo Augusto, “Em louvor de Santa Clara”? Que lindo nome que ela tem ! Um dia compreenderá a beleza moral e poética daquela que primeiro o usou”. Quanto a Cecília Meireles, referia-se a mim como “a Pascoinha”, penso ser uma brincadeira entre as duas por eu ter nascido por altura da Páscoa.

E foi motivada por esta referência que fui à procura de coisas sobre a Irmã Clara de Assis. Mas não me interessa abordá-la, mas sim que, nesse caminho fiquei a conhecer a existência de um livro de Cecília Meireles, que pertence ao acervo de Literatura do Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro : Pequeno oratório de Santa Clara.

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Duas estagiárias de jornalismo – Cecília Himmelseher e Marcela Isensee ( in http://blogdoims.uol.com.br/tag/frei-armindo-augusto) – contam que a obra pertence à Biblioteca de Lygia Fagundes Telles, no acervo de literatura do IMS-RJ. Em Abril de 1955, a autora da obra, Cecilia Meireles, presenteou a amiga com o número 170, de uma tiragem de 320 exemplares impressos artesanalmente no Brasil.

O livro, publicado no Rio de Janeiro em 1955, é composto por 13 partes em que a autora conta a vida da santa. Vem acondicionado numa caixinha de madeira em forma de oratório. E a sua “capa” é de Manolo Segalá, poeta e gráfico espanhol (Barcelona, 1917-Rio de Janeiro, 1958) que viveu seus quatro últimos anos de vida no Brasil, depois da guerra civil espanhola, havendo-se notabilizado por seus exemplares de bibliofilia, inclusive por sua editorial Philobiblion, pela qual publicou textos, com xilogravura suas, de Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Geir Campos, García Lorca, Kafka, Raul de Leoni, Aníbal Machado, Cecília Meireles, Gabriela Mistral etc.

Já Cortes Rodrigues referira nas suas cartas a obra do português Frei Armindo Augusto, que publicou o livro Em louvor de Santa Clara para celebrar o sétimo centenário de morte da religiosa, que ocorrera em 1953. Dizem as referidas estudantes – pois eu não conheço a obra – que “a publicação constitui uma homenagem das literaturas portuguesa e brasileira àquela que dedicou sua vida aos pobres. A colaboração do Brasil foi dada por Cecilia Meireles e Manuel Bandeira. Cecilia contribuiu com o “Oratório”, que na edição portuguesa recebeu o título de “Recitativo”. Manuel Bandeira participou com “Oração para aviadores”, em que atribui a Santa Clara o poder de proteger os aviadores” .Será um ano depois que Cecília Meireles manda imprimir a sua colaboração nesta obra.

A admiração de Manuel Bandeira pela edição do Pequeno oratório de Santa Clara está registrada na crônica ntitulada “Santa Clara”, incluída em Flauta de papel.

E pronto, fiquei cheia de inveja de não poder apreciar este “objecto” (mais do que a sua leitura propriamente dita). E fiquei a saber mais coisas sobre o meu nome. De que continuo a gostar, sem fazer os feitos da santa, mas esperando, pelo menos, ser “clara” no que vos escrevo….

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