Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
O euro rebentará de surpresa – ajudemo-lo segundo “La lettre volée”.
Texto enviado por Philippe Murer, Membre du bureau du Forum Démocratique
Président de l’association Manifeste pour un Débat sur le libre échange
30 mars 2013
By admin
Um longo bilhete de Michael Pettis sobre a Espanha faz-me pensar nisso.
Este economista americano, especialista na China e membro da Fundação Carnegie, evoca a crise Europeia e, nomeadamente, a situação da Espanha.
Ele explica que por detrás da aparente calma dos mercados, existem sérias dúvidas sobre a solidez da zona euro. A ideia não é nova, a explicação é um pouco mais original.
Ele explica, de facto, que se imagina actualmente que os países da periferia da zona euro têm apenas problemas de liquidez, que o BCE está empenhado em resolver (para os leitores não economistas, devem-se distinguir duas situações, a de insolvência e de falta de liquidez. A falta de liquidez é a situação onde se tem bastante activos, bens, para pagar as suas dívidas, mas não se tem liquidez, dinheiro, pelo menos não imediatamente disponível. A insolvência é a situação em que mesmo vendendo as jóias de família, nunca se será capaz de pagar as suas dívidas.
A um devedor ilíquido podem-se fazer empréstimos adicionais, temporizar. Isso é o que toda a gente parece ser capaz de fazer hoje, com a aprovação do BCE. Diante de um devedor insolvente, é-se forçado a reconhecer as perdas, o que é bem diferente do caso anterior .
Pettis conta como, em 1982, se afigurava que os países latino-americanos tinham um endividamento excessivo. Foram precisos 8 anos para se reconhecer que estes países estavam era na situação de insolventes.
Oito anos durante os quais os banqueiros disseram que tudo ia bem e que simples ajustamentos chegariam para pôr a situação em ordem.
De facto, durante este tempo, os bancos constituíam provisões para poderem encaixar as perdas que eles anteciparam na realidade, sem o quererem reconhecer publicamente (porque que desde que se reconheça que uma dívida é perdida, é necessário ter isso em conta em termos de contabilidade : perda não confessada, significa não perdida .) Simplesmente, para que isso funcione é necessário que todas as praças financeiras adoptem o mesmo comportamento.)
Portanto, o prognóstico de Pettis para a Europa será então: muitos bancos sabem que a situação irá rebentar e têm então como estratégia acumular reservas durante alguns anos para depois poderem, quando chegar a hora, assumir os seus prejuízos. Os custos, esses ficam para as populações suportarem ainda durante alguns anos com políticas económicas imbecis e o desemprego.
Petits afasta-se desse comportamento, Krugman sobrepôs as curvas de crescimento na Europa na década de 1930 e as de agora. E com isso mostra duas coisas: a crise foi mais forte na década de 1930 do que é agora. O sistema social, criado em 1945 provável amorteceu o choque. Ele também mostra que a recuperação é mais lenta agora do que na década de 1930:
Pessoalmente, eu preferia que isto rebentasse rapidamente, mesmo a nacionalizar os bancos que viessem a estar em perigo.
Porque de qualquer forma isto tem que rebentar mais cedo ou mais tarde.
Pettis vê a Espanha como o país em pior situação. Para ele, apenas o orgulho e o apego ao projecto político europeu podem explicar que a Espanha se mantenha ligada à moeda única. Pettis apela mesmo a que os intelectuais franceses procurem libertar os espanhóis do seu empenhamento na zona euro:
(« But the Spanish still have a lot of pain to absorb. By the way if we were to see an intensification of the debate in France about the euro, I suspect that this will give a green light to Spanish public intellectuals, for whom France is the North Star, to discuss the prospect themselves. Until then, in Spain you are not really supposed to talk about abandoning the euro if you want to be taken seriously.« ).
Para Pettis, sair do euro e uma política económica séria podem permitir a Espanha retomar rapidamente o crescimento económico. (« Crisis-stricken countries that have forced through robust reforms to address their comparative lack of competitiveness will continue to struggle under the burden of high debt and an overvalued currency, but once they directly address both, growth usually returns quite quickly.« )
Conclusão pessoal: é bem possível que o fim do euro já esteja a ser integrado por vários bancos, que acumulam provisões para passarem o momento da transição para as moedas nacionais.
Os governos que optam por dar este tempo aos banqueiros (e os Melenchon, que os justificam mantendo-se a defender o euro) estão a agir contra as suas populações e a arbitrarem a favor do desemprego.
Se François Hollande pretende provar que o seu inimigo é a finança, ele deve então sair do euro o mais rapidamente possível e não esperar que o sistema se afunde sobre si-mesmo.


