EDITORIAL: OS VELHOS E NOVOS IMPÉRIOS

Diário de Bordo - II

 

Saul Leblon, em Carta Maior, no editorial de ontem, intitulado ‘Escalada democrática’ chama a atenção para como os EUA e o conservadorismo sul-americano apertam o cerco na América Central e do Sul. Já conseguiram afastar os governos do Paraguai e das Honduras, e estão atacando fortemente na Venezuela, com a exigência de recontagem dos votos das recentes eleições presidenciais, apesar de o sistema eleitoral venezuelano ser reconhecido internacionalmente como muito transparente. Saul Leblon faz o paralelo com a situação que se vive no Brasil, com a utilização do caso do mensalão para atingir o ex-presidente Lula, desprestigiar o PT e as políticas de esquerda na América Latina.

Na Europa, Angela Merkel, que tem eleições em Setembro, não dá tréguas. Afirma que a Alemanha não pretende hegemonizar a Europa, mas vai opinando que o salário mínimo (na Alemanha não há salário mínimo generalizado) é que causa o desemprego, e que os países da zona euro têm de estar preparados para ceder o controlo de certos aspectos da sua soberania a instituições europeias. Mostra-se especialmente preocupada com o mercado de trabalho. Parece não temer o novo partido que defende a saída do euro.

Em Portugal, ontem, um senhor, Félix Ribeiro, salvo erro,  na televisão com Medina  Carreira e Judite de Sousa, defendia que Portugal devia preocupar-se menos com a integração europeia e procurar aproximar-se mais dos Estados Unidos. Porque não dos BRIC? Não explicou. A opção é entre o pátio das traseiras norte-americano ou as fábricas alemãs. Não há dúvida, isto mudou pouco desde a Guerra dos Sete Anos e Napoleão.

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