Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota
Pagos para matar, crónica de uma realidade pensada em Bruxelas e algures mais
Júlio Marques Mota
A Troika, a Comissão Europeia, o BCE e o FMI tão disponíveis para andarem à caça dos tostões dos homens que o emprego irão perder, tão sequiosos do dinheiro resultante do saque aos salários de quem trabalha, tão disponíveis para acabar com a saúde quem a já não tem e não irá ter mais se tudo continuar assim, tão ávidos em proteger os grandes consumidores de bens de luxo, nunca terão exigido como condição prévia, na Grécia ou algures, a limpeza dos paraísos fiscais e a recolha do dinheiro para aí fugido, como uma das formas mais justas de reduzir os défices.
A famosa Lista Lagarde, de 2000 nomes de gentes ricas da Grécia que terão mandado o dinheiro para outras paragens, os paraísos fiscais, ao abrigo do saque que o vampiro moderno e incompetente que é o Presidente do Eurogrupo anda a dirigir ai está ainda por tocar.
Com toda esta política a história verdadeira que irão ler, digna de alguém ainda com mais capacidade imaginativa que Alfred Hitchcock, é um retrato da obra que os dirigentes da zona euro andam a construir por toda esta Europa e a sua força vêm do único agente capaz de a poder inventar: a realidade.
Porque é uma história verdadeira, bem vindos ao mundo do mal organizado por Durão Barroso, Mario Draghi, por Olivier Blanchard, o economista “honesto” do FMI, bem vindos também ao antro escondido do Bundesbank onde vos espera amavelmente o seu Presidente Jens Weidmann, na foto abaixo, para quem o ambiente calmo que se vive neste momento na Europa pode ser traiçoeiro por poder levar a abrandar as políticas de austeridade e que nos avisa também de que devemos contar com estas mesmas políticas por mais 10 anos, bem-vindos pois à Grécia de hoje, ao texto que se segue.
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Maria, os bancos e assassinos pagos para matar: o contrato sobre Vaxevanis (HOTDOC N°26)
Por Okeanos
18 abril 2013 – 13:59
Parte I
A nova edição da HOTDOC, a revista publicada por Kostas Vaxevanis, o jornalista que publicou a lista Lagarde e ainda está à espera do seu julgamento, é digna de ser considerada um texto policial. Uma investigação sobre um escândalo bancário, um banqueiro que decide contratar pistoleiros a soldo com a promessa de eliminarem o jornalista, um membro da equipa que entra em pânico e se entrega ao jornalista, uma justiça que arrasta os pés. Um romance policial na Grécia moderna. Excepto que não se trata de um romance, mas sim da história mostrada na nova edição da revista da HOTDOC. Okeanews revela o resumo dessa história que parece não interessar os media gregos.
HOT DOC “Contrat payé – tout le plan d’élimination”-Contrato pago -o plano completo de eliminação, HotDoc n°26 (pages 14-41):
Maria, os bancos e os assassinos contratados: o contrato sobre Vaxevanis
A terceira edição da revista HotDoc, datada de 24 de Maio de 2012, revelou informações confidenciais sobre escândalos envolvendo alguns bancos gregos. Exemplares preliminares foram enviados para outros meios de comunicação. No dia 23 de Maio, Fimotro, um blog muitas vezes condenado por difamação e chantagem, publicou uma foto de um recibo que teria sido emitido pela Agência de Informações da Grécia (EYP) em nome do editor do HotDoc, Kostas Vaxevanis. O recibo estava datado de 15 de Junho de 2011 e indica que lhe foram pagos €50.000 por serviços prestados para a EYP durante o 1º semestre de 2011. Fimotro, assim como outros blogs que fizeram circular esta imagem do recibo também desempenharam um outro papel ao apresentarem o jornalista Steven Grey da Reuters, que andava a investigar à volta de uma história semelhante sobre os bancos gregos, como um “agente” de forças desconhecidas que procuram destruir a economia grega (a Reuters publicou um longo artigo sobre a vigilância a que tinha sido sujeita).
A equipa de HotDoc denunciou como sendo falso o recibo e Vaxevanis tentou levar a Tribunal Giannis Papagiannis, o administrador do Fimotro, cujo nome é conhecido do grande público depois de um processo judicial anterior em que ele foi acusado de chantagem. Estranhamente, o gabinete do procurador recusou os documentos do processo anterior como prova da sua identidade e, porque Papagiannis não poderia ser acusado de um crime no caso de HotDoc, Google recusou entregar os seus dados pessoais. O processo contra Papagiannis foi, portanto, abandonado, apesar de haver abundantes provas on-line sobre a sua identidade, inclusive, recentemente, artigos do blog assinados com o seu nome completo.
Em seguida, os jornalistas de HotDoc começaram a receber ameaças veladas através de amigos e conhecidos, enquanto passaram a viver com uma constante impressão de que andavam a ser seguidos. A revista, no entanto, continuou a realizar pesquisas sobre os bancos. Em julho de 2012, esta publicou uma primeira série de resultados mostrando que um gang da EYP, de que a equipa de HotDoc revelou as suas actividades ilegais no passado, estava a tentar eliminá-los em colaboração com os principais empresários e banqueiros.
(continua)


