A CONTRADIÇÃO ENTRE A OBSESIDADE E A SUBNUTRIÇÃO por clara castilho

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A UNICEF divulgou um relatório sobre desnutrição infantil. Não posso deixar de pensar no interesse que o assunto da obesidade infantil tem despertado. Que corresponde a uma preocupação legítima, aliás.

A primeira reação de algumas pessoas a quem falei do relatório foi a de que estes problemas se verificam noutros continentes, noutros países e que nada se aplica aqui no nosso cantinho. Com a dimensão trágica que é apontada, de facto não nos atinge. Mas sabemos o aumento da fome que muitas famílias estão a sentir…

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O relatório não deixa de referir os primeiros mil dias de vida para a criança, incluindo a gravidez da mãe, são fundamentais para o bom desenvolvimento da criança e para acabar com a desnutrição crónica  Assim, deve-se melhorar a nutrição das mulheres antes, durante e depois da gravidez e promover a protecção da lactância materna imediata e exclusiva durante os primeiros seis meses de vida.
As estatísticas mostram que uma em cada quatro crianças menores de cinco anos não consegue ter bom desenvolvimento devido à desnutrição crónica e outros problemas de saúde.

Estes problemas não só afectam o desenvolvimento do corpo da criança, mas também podem afetcar o desenvolvimento do cérebro e da capacidade cognitiva, disse Werner Schultink, chefe de nutrição da UNICEF. “As células cerebrais se desenvolvem menos e diminuem seu número. Isto leva a um declínio no desempenho escolar e, eventualmente, também na vida profissional”.
A UNICEF destacou o trabalho que ocorre em países como Haiti, Etiópia, Índia, Nepal, Ruanda, Congo, Sri Lanka e, especialmente, o Peru,  o­nde o raquitismo foi reduzido em dois terço entre 2006 e 2011.

Em Angola, a taxa de desnutrição crónica nas crianças com menos de 5 anos é de 29.2% (IBEP 2008/9). Em 2012, a desnutrição infantil foi agravada devido à seca que assolou sobretudo dez províncias do país, dos quais Bié, Huambo, Kwanza Sul e Zaire (as mais afectadas).

Fazendo a comparação com os dados de anos anteriores, assinalam que têm sido feitos progressos no combate contra esta “face escondida da pobreza” para 165 milhões de crianças menores de cinco anos em todo o mundo.

Realçam que com um atraso de crescimento, uma criança chega à idade adulta com maior propensão para ter excesso de peso e sofrer de doenças crónicas. Também fazem uma relação com rendimentos escolares baixos, citando estudos recentes levados a cabo na África do Sul, Brasil, Guatemala, Índia e Filipinas.  Anulam-se, assim, as perspectivas de futuro de uma criança e privar um país das suas perspectivas de desenvolvimento. Para além disso, a maior parte dos casos os atrasos de crescimento passam de geração em geração.

E, transgeracionalmente, os filhos de mães subnutridas correm maior risco de também nascerem com baixo peso, dado que entre 60 a 80 por cento das mortes neonatais ocorram em bebés com baixo peso.

Ainda segundo o estudo, 80 por cento das crianças que sofrem atrasos de crescimento vivem em apenas 14 países, sendo que três quartos vivem na África subsariana e no sul da Ásia.

Em 2011, os cinco países com o maior número de crianças menores de cinco anos afectadas por atrasos de crescimento eram a Índia (61,7 milhões), Nigéria (11 milhões), Paquistão (9,6 milhões), China (8 milhões) e Indonésia (7,5 milhões).

O relatório da UNICEF destaca os sucessos alcançados através da implementação “em larga escala” de programas de nutrição e mudanças de comportamentos em 11 países: Etiópia, Haiti, Índia, Quirguistão, Nepal, Peru, República Democrática do Congo, República Unida de Tanzânia, Ruanda, Sri Lanka e Vietname.

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