ENTREVISTA COM VASCO LOURENÇO – conduzida por Henrique Prior e Paulo F. Silva

Esta entrevista é transcrita, com a devida vénia, do site INCOMUNIDADE. Agradecemos a Henrique Prior, a Paulo Silva, ao INCOMUNIDADE e ao Coronel Vasco Lourenço.   A foto é da autoria de Armando Isaac.

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Estamos num tempo em que recordar e comemorar o 25 de Abril não chega. Aquele mesmo povo que agora canta o “Grândola, Vila Morena” como grito de revolta contra o sofrimento a que o poder actual o condena precisa como nunca que sejam lembrados os valores de Abril e que, para lá da simples revolta, sejam apontados os caminhos para alcançar os grandes desígnios do Movimento dos Capitães, que resgatou a Pátria para a Liberdade: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

 Cumprindo o que sente ser o seu dever, a INCOMUNIDADE não poderia encontrar melhor para pensar o tempo presente e apontar os caminhos do futuro do que entrevistar Vasco Lourenço, que foi não só um dos heróis de Abril, mas também um homem com sabedoria e força que impediu que se instalasse em Portugal uma ditadura e o nosso país mergulhasse numa sangrenta guerra civil em que muitos a queriam. Vasco Lourenço que continua empenhado em fazer com que em Portugal sejam cumpridos os ideais de Abril.

 Henrique Prior e Paulo F. Silva conduziram a entrevista.

INCOMUNIDADE – Foi daqueles que ousaram arriscar a vida pela liberdade da Pátria. Pensa que Portugal se encontra num momento de regressão, quanto aos direitos sociais dos cidadãos, de tal modo que, antes do 25 de Abril, o país estava menos mau do que agora, como chegou a dizer o seu camarada e herói de Abril Otelo Saraiva de Carvalho?

VASCO LOURENÇO – Não. Ainda lá não chegámos. É evidente que, depois de um extraordinário avanço nesses direitos sociais – onde nos colocámos quase ao nível do que de melhor se passava na Europa – estamos a ser alvo de um enorme retrocesso, que nos aproxima dos níveis de antes do 25 de Abril. Mas aí gostaria de salientar o seguinte: quando se fez o 25 de Abril, na Europa existia o chamado Estado Social, fruto das lutas dos trabalhadores e do “acordo” que o Capital fizera com o Trabalho. O que permitiu um período de paz relativa (relativa, porque os europeus tiveram a paz no seu território – até ao desmoronar da Jugoslávia, com todas as consequências bélicas – mas fizeram a guerra em muitos outros locais do mundo). Ora, o que o 25 de Abril permitiu é que Portugal e os portugueses pudessem ter acesso e usufruir desse Estado Social. Que, infelizmente, está a ser destruído em toda a Europa, o que nos arrasta e faz regredir à situação de antes do 25 de Abril.

INCOMUNIDADE – Temos liberdade de expressão? Temos liberdade de formação da opinião?

VASCO LOURENÇO – Teoricamente, sim. Mas essas liberdades, como todas as outras, são sempre mais ou menos condicionadas. E, hoje, existe uma condicionante terrível! Refiro-me à debilidade financeira e económica. Um desempregado, uma pessoa com fome, dificilmente é livre, mesmo que o aparente. E o domínio do financeiro sobre o político, o domínio do financeiro nos meios de comunicação social, dificulta imenso o exercício dessas liberdades. Ainda que, nestes campos, a Internet garanta, por enquanto, alguma liberdade. Só que, apesar de às vezes se pensar o contrário, não atinge grandes massas…

INCOMUNIDADE – Progredimos ou regredimos no capítulo da igualdade?

 VASCO LOURENÇO – Se compararmos com o antes do 25 de Abril, ainda estamos melhor que antigamente. Mas se compararmos com o que se conseguiu depois da Revolução dos Cravos regredimos escandalosamente. Com um pormenor muito significativo: a classe média diminuiu, o nivelamento deu-se mais abaixo e a diferença entre os mais ricos e os mais pobres aumentou de forma pornográfica. E embora o mesmo se passe em todo o mundo isso não nos serve de consolação. O facto é que a percentagem da riqueza nas mãos de uma pequena minoria aumenta cada vez mais. Não foi por acaso que, nos EUA, surgiu o movimento dos 99% contra o 1%…

 INCOMUNIDADE – E no capítulo da corrupção?

 VASCO LOURENÇO –  A corrupção faz parte integrante, sendo absolutamente fundamental do sistema capitalista (como faz igualmente parte dos chamados sistemas socialistas…). Ora, quando se pratica o capitalismo selvagem, como nos últimos anos se praticou, a corrupção atinge o auge. Daí a crise em que o mundo se envolveu. Posso ter dúvidas em muitas coisas, mas nesta não: a corrupção esteve na origem, foi a primeira das causas, da actual crise que se vive, não só em Portugal, mas também no mundo capitalista.

 INCOMUNIDADE – Qual a sua avaliação da actual classe política?

VASCO LOURENÇO – Altamente negativa. Sem sentido de Estado, incompetente, colocando os interesses particulares à frente dos interesses nacionais, corrupta. Esquecendo-se permanentemente das promessas que faz, para chegar ao poder, mentem descaradamente e posicionam-se invariavelmente de forma diferente, consoante estão no poder ou na oposição. Isto é, se conseguem chegar ao poder assumem de imediato as posições e atitudes que anteriormente criticavam. Como é fácil de perceber, referi-me essencialmente aos políticos do arco do poder, pois os outros não foram suficientemente postos à prova. Mas, dados os procedimentos visíveis, não é de excluir que os do arco do sistema viessem a ter procedimentos semelhantes. Actualmente, em Portugal, vivemos ainda uma situação muito mais grave: os responsáveis políticos no poder agem como agentes de forças estrangeiras, sem sentido patriótico, não recuando perante nada, nomeadamente perante a sua enorme descredibilização. Pessoalmente, dou por mim a pensar como ainda têm lata para sair à rua e encarar os seus concidadãos…

 INCOMUNIDADE – Não concorda que a classe política é o espelho de uma nação que vem perdendo valores essenciais, o amor à liberdade, à igualdade, à fraternidade, à honra, à honestidade?

VASCO LOURENÇO – De facto, no mundo em que estamos atolados não é fácil fazer vingar esses valores. Mas a questão que se levanta é esta: a classe política deveria integrar as elites. Por isso, deveria ser o principal actor da defesa e da prática desses valores. O que não acontece. A República é uma falácia, os seus valores são espezinhados constantemente. Pessoalmente, há dois anos, na intervenção pública que fiz nas comemorações populares do 25 de Abril, afirmei que a maior crise que atravessávamos era a crise de valores. Afirmei que, maior que a crise económica e financeira, era a crise de confiança dos eleitores nos eleitos. Há um ano, voltei a fazer as mesmas afirmações. A situação tem-se vindo a agravar. Como cidadão português, a cada dia que passa sinto-me envergonhado por ter os responsáveis políticos que o meu país tem: seja o presidente da República, seja o primeiro-ministro, sejam alguns dos outros membros do Governo ou da Assembleia da República! Direi mais, além de vergonha, sinto-me ofendido pela ação desses (ir)responsáveis…

INCOMUNIDADE – É possível termos uma sociedade e uma classe política onde estes valores sejam dominantes?

VASCO LOURENÇO – É muito difícil, mas temos de acreditar que tem de ser possível…

INCOMUNIDADE – Qual o caminho?

VASCO LOURENÇO – Obrigar a que os partidos políticos alterem o seu funcionamento. Se, nas democracias ocidentais, como a nossa, os partidos políticos são essenciais, se não existe democracia representativa sem que haja grupos organizados, para serem os representantes (neste caso, os partidos políticos) os partidos têm de ter uma prática democrática, não podem transformar-se em agentes de conquista do poder pelo poder, em agências de emprego, em escolas de “malfeitores”. Ora, infelizmente, foi isso que se passou e passa em Portugal. Por isso, temos de obrigar os partidos políticos a alterarem o seu funcionamento. Como? Desde logo, acabando com o seu monopólio, em termos de acesso ao poder. Temos de conjugar a democracia representativa com a democracia participativa. Temos de alterar as leis eleitorais, bem como os mecanismos de escolha dos candidatos. Temos de ser capazes de criar mecanismos de responsabilização dos partidos e dos seus dirigentes. Não apenas através de “punições” políticas, mas também de outra ordem. Só ameaçando os partidos políticos, abrindo a porta a alternativas, eles se verão coagidos a alterar o seu posicionamento.

 INCOMUNIDADE – A Europa foi o desígnio nacional depois do 25 de Abril. O desígnio tornou-se tragédia. Isso é inevitável ou fruto dos poderes da conjuntura?

VASCO LOURENÇO – Está a falar de um erro estratégico fenomenal: pessoalmente, sempre defendi que devíamos integrar-nos na Europa, o nosso espaço físico, mas não devíamos descurar a nossa ligação a todo o mundo que, ao longo da nossa História, transformámos no nosso espaço afetivo. Lamentavelmente, com o descalabro da Europa, com o desmoronar da União Europeia, o desígnio tornou-se tragédia. Não me parece que tenha de se encarar a situação como inevitável: no passado, fomos capazes de nos aventurar e procurar outros espaços. Considero que continuamos a ser capazes de o fazer. Mas, para isso, teremos de ter líderes competentes e com visão! Talvez que o aprofundar da crise, o estalar da guerra na Europa, que me parece inevitável, nos force a, novamente, sair da Europa…!

 INCOMUNIDADE – Podemos falar de neo-imperialismo alemão?

 VASCO LOURENÇO – Sim, está cada vez mais claro que os alemães não aprenderam com a História e, de outra forma, tentam de novo dominar o mundo (nomeadamente a Europa). Estou convicto de que haverá nova guerra. De que haverá novos e terríveis sofrimentos, mas estou crente de que os alemães voltarão a ser derrotados. E talvez aí os vencedores/credores não venham a ser tão magnânimos como das outras vezes e consigam, de vez, criar as condições que lhes não permitam novas veleidades de neo-imperialismos…

 INCOMUNIDADE – A Europa parece estar a cair aos bocados. Agora foi o Chipre… Ainda é possível fazer qualquer coisa que evite a guerra que vaticinou no final do ano passado? Acredita mesmo que é inevitável uma guerra na Europa?

VASCO LOURENÇO – Se no final do ano passado vaticinei a guerra, lembro que há mais de quatro anos que venho falando na inevitabilidade da “revolta dos escravos”! A esperança que tenho, a ambição que assumo, é a de que, quando a ruptura violenta de ser, os povos europeus sejam capazes de repetir 1848, onde lutaram contra os governantes e as elites, e não repitam 1914 e 1939, onde lutaram uns contra os outros. Tenho esperança que os povos europeus sejam capazes de ver que os inimigos não são os outros povos, mas sim os responsáveis políticos que os governam. Por isso, venho pedindo publicamente, há mais de um ano, às Forças Armadas e às Forças de Segurança: não permitam que o governo as utilize como força de repressão das populações!

 INCOMUNIDADE – Os resultados da última avaliação da troika indiciam o pior dos cenários para Portugal. Ainda há solução para nós? Ou só falta anunciar a bancarrota financeira, política e social, a nossa incapacidade para lidar com a maior dificuldade da nossa História?

VASCO LOURENÇO – Pelo caminhar das coisas é esse o cenário mais previsível. Mas, acredito que seremos capazes de reagir, de defenestrar os traidores, de romper com a União Europeia e o euro, de limpar a casa e começar de novo. Como fizeram os islandeses…!

 INCOMUNIDADE – A criação de um espaço económico e cultural da lusofonia poderá ser uma alternativa à Europa?

VASCO LOURENÇO – Não é forçoso que voltemos costas à Europa, se ela se transformar, mas, se isso não acontecer, é uma solução que podemos e devemos tentar.

INCOMUNIDADE – Os países da lusofonia poderão abraçar esse desígnio ou a geografia e a política impedem o que a língua facilita?

VASCO LOURENÇO – Se tivermos a humildade de não querer ter o papel principal, mas assumirmos uma atitude de parceiro igual aos outros, será mais fácil vencer as enormes dificuldades, resultantes da geografia e da política, mas também do passado histórico. É que, se esse passado facilita as ligações, todos sabemos que os sentimentos dos filhos que se emancipam nem sempre convivem bem com os dos pais que vêm esses filhos emancipar-se. Há que ter isso presente, acentuando a natureza independente de todos.

INCOMUNIDADE – É sabido que está preocupado com os anunciados e previsíveis cortes nas Forças Armadas. Como avalia a atuação do ministro da Defesa?

VASCO LOURENÇO – Serei suspeito a falar desse assunto, pois de há muito que tenho uma opinião formada. Este ministro da Defesa Nacional é um exemplo bem elucidativo da prática dos governos portugueses, de há muitos anos a esta parte: não percebem nada do assunto, não querem perceber e têm raiva a quem percebe! Como já afirmei várias vezes, os governos parecem preocupar-se em escolher para a pasta da Defesa Nacional quem, de facto, não perceba, nem tenha jeito para o assunto. Neste caso específico, aliás no seguimento dos anteriores, acontece que o governo utiliza as Forças Armadas como único instrumento de política externa – longe vão os tempos em que a credibilidade do 25 de Abril nos dava estatuto especial, nas relações externas – mas não lhe dá as correspondentes condições. Na actual situação, considero que vivemos uma outra conjuntura: o poder, vendido ao capital financeiro, procura destruir o País, criando um exército de desempregados, que sustente vencimentos muito baixos (se os empregados recalcitrarem, há os desempregados com os “pés nos tacos” para ocuparem esses empregos), empobrecimento do País, terrenos a baixo custo, enfim uma colónia de férias, com prestação de serviços baratos. Ora, isso dará origem a fortes convulsões. Que é “necessário” reprimir. Pois bem, quem poderá opor-se a essa repressão? Em último caso, as Forças Armadas, se estiverem capazes, fortes e operacionais. Por isso, é necessário destruí-las…!

INCOMUNIDADE – Faz sentido para si que, neste momento, possam estar a ser criadas as bases de uma operação militar?

VASCO LOURENÇO – Já o afirmei publicamente, considero não haver condições para um outro 25 de Abril, neste caso para uma outra acção das Forças Armadas, de deposição do poder em exercício. O maior obstáculo, que faz com que não haja condições, está no facto de vivermos numa democracia. Pois bem, estando a democracia a desmoronar-se, estando os responsáveis a descredibilizar-se de forma galopante, estando nós a caminhar para sabe-se lá o quê, não me admiraria nada que se estejam a criar condições para essa operação militar. Só faço votos é que, a acontecer, seja tipo 25 de Abril e não tipo 28 de Maio!

INCOMUNIDADE – Volvidas quatro décadas, o que sente um “capitão de Abril” que olha em seu redor e vê o país outra vez tão distante daquilo por que lutou e, inclusive, arriscou pessoalmente?

VASCO LOURENÇO – Desilusão, profunda desilusão! A que junto uma grande revolta, mas também uma enorme impotência! Não desistindo de lutar, gostaria de me sentir capaz para arriscar mais. Mas… por isso a sensação de impotência.

INCOMUNIDADE – Não lhe parece que o Estado Social necessitava de ser reformado? Ou os conceitos de há 30 ou 40 anos são, ainda hoje, válidos?

VASCO LOURENÇO – Certamente que a evolução dos tempos nos obriga a reformar os conceitos. Este é um assunto que preocupa a Associação 25 de Abril, sobre o qual vem promovendo fortes debates. De uma coisa estou cada vez mais certo: a democracia só é viável se houver Estado Social! O Estado Social é indispensável e é, também, absolutamente viável. A paz só é possível se houver Estado Social. Igual ao que se pratica há mais de 60 anos? Certamente que sim, na harmonização dos direitos do Trabalho, em resultado das mais-valias que cria. Certamente que sim, na concordância do Capital em que essas mais-valias sejam repartidas, não apenas para si, mas também para o Trabalho. Certamente que não, na forma de financiamento do Estado Social. Nomeadamente através da utilização das mais-valias resultantes da evolução tecnológica, nomeadamente da utilização dos robots, nas suas diversas vertentes. O Estado Social não pode ser financiado apenas através do contributo do Trabalho, seja pelos próprios trabalhadores, seja pelos empregadores. Agora, de uma coisa não tenhamos dúvidas: chamemos-lhe Estado Social, chamemos-lhe qualquer outra coisa, ou há um compromisso entre o Trabalho e o Capital, ou não haverá paz, não haverá democracia e, provavelmente, não haverá capitalismo.

INCOMUNIDADE – É um dos signatários do “Manifesto pela Democratização do Regime”, que claramente aponta o dedo aos partidos políticos e aos órgãos de soberania. Mas a democracia faz-se com partidos, precisamente… Não lhe parece haver aqui uma contradição? Os cidadãos, por serem independentes dos partidos, podem ser melhor e mais eficazes do que os que assumem um partido?

VASCO LOURENÇO – Não é uma questão de os independentes serem melhores e mais eficazes que os militantes partidários. Longe de mim pensar isso. Os defeitos e as virtudes são os mesmos. Todos são seres humanos. O problema está no facto de os partidos actuais terem falhado, não tendo uma prática de acordo com os seus princípios, os princípios democráticos. Por isso, têm de ser obrigados a reformular essa prática. Como? Perdendo o monopólio do poder, sentindo-se ameaçados nos seus domínios, percebendo que têm competidores…

INCOMUNIDADE – Que vantagens objetivas, concretas e práticas pode apontar na ideia das listas nominais de cidadãos, em eleições para a Assembleia da República?

VASCO LOURENÇO – Precisamente a de acabar com a “ditadura” das direcções partidárias, na escolha dos candidatos. Como é igualmente indispensável criar condições para que os eleitos respondam perante os eleitores. Já viu maior condicionamento do que a chamada disciplina de voto? Veja quantas vezes os partidos dão liberdade de voto aos seus deputados! Por isso, nunca aceitei a hipótese de integrar listas partidárias às eleições. Como nunca aceitei os diversos convites para me inscrever em partidos políticos. O que não significa que seja contra os partidos. Sou, sim, contra a prática dos partidos. Mesmo, e principalmente, contra os que ocupam (pelo menos teoricamente) o espaço político e ideológico em que me situo…

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