O PATO ALGEMADO – XXXVI- por Sérgio Madeira

O Pato algemado, o Professor, o Inspector e o senhor Ministro (mais os figurantes)Imagem2

Como talvez se lembrem o Professor ofereceu um dossiê ao senhor ministro

O dossiê dizia na capa: Does High Public Debt Consistently Stifle  Economic Growth? A Critique of Reinhart and Rogoff.

O ministro pegou nas folhas do documento e começou a ler. À medida que avançava na leitura ia ficando cada vez mais pálido. A certa altura levou as mãos à cabeça e caiu inanimado. Fez-se um grande  silêncio. O Pato grasnou:

– Ó Professor, então o senhor matou o homem?

O Pais comentou:

– Estrordinário!

O Professor, incomodado com a ideia, respondeu:

– Todos são testemunhas de que nem lhe toquei…

Entretanto Marília, com o seu sentido prático, procurou na bolsa o seu telemóvel com ideias de  chamas o 112.  Mas Gaspar voltou a si. Ainda estremunhado, olhou em volta e ao encarar com o Professor, balbuciou:

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– Não, não,  não posso roubar mais. Prefiro morrer do que deixar de ser ladrão sem justificação. Esse maldito livro rouba-me a justificação. Também não  quero  deixar de ser ministro   e de ter o poder de bloquear  toda a actividade do país.  Que gozo no silêncio do meu gabinete, mais gozo que terão todos estes papalvos com todas as Carla Bruni  do mundo…

E, cambaleante, saiu.

Ficaram em silêncio duante uns momentos. O Pais quebrou-o, comentando:

– Bonito! – Isto não são maneiras de tratar um ministro.

~É uma besta – disse Filipe.

– Pois será – concordou o Pais – Mas um ministro, é um ministro…

– Há antecedentes… – Começou o Pato. O inspector interrompeu-o:

– Eh! Então? A conversa não chegou ao galinheiro! – voltou-se para o Sérgio – Ouça lá, que ideia é esta de meter pessoas respeitáveis a contracenar com aves de capoeira?

– O Pato tem revelações a fazer – justificou Sérgio.- Ah é? – Pais voltou-se para o Pato:

– Então desembucha!

Mas o Pato, ofendido com as palavras do inspector, quis melhorar a sua posição.

– Calma aí – e pediu um copo de água a Marília.

Quando a secretária lhe trouxe a água, molhou o bico, tossicou e perguntou:

– Conhecem o Oliveira do Hospital?

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