RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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O Banco Central Europeu encara baixar as taxas de juro, Angela Merkel pretende antes que elas subam

La Tribune

Angela Merkel - IIICopyright Reuters

Romaric Godin | 25/04/2013, 15:06 – 539 palavras

A  Chanceler surpreendeu-nos  a todos dizendo que o interesse do seu país seria num aumento da taxa do BCE. Uma declaração que pode colocar em causa o declínio esperado da taxa de refinanciamento na Europa na  próxima semana. Mas levanta também o problema da independência do BCE.

E é de sublinhar   que ela falava como se a descida da  taxa do BCE tivesse já sido posto em causa. E, sem nenhuma surpresa, este questionamento vem da Alemanha. Na manhã de quinta-feira, a Chanceler Angela Merkel afirmou  e com  vigor que  um “aumento das taxas seria  mais conveniente  para a Alemanha.”  Observações que surpreenderam a maioria dos observadores do BCE para quem  a queda das taxas   teria sido decidida  depois do  sinal verde implícito dado pelo  Bundesbank na semana passada.

O BCE resfria  as expectativas

Esta declaração vem mesmo na altura em que  um membro da Comissão Executiva do BCE tentou acalmar as expectativas de uma queda nas taxas, desde a próxima quinta-feira, aquando da  próxima reunião do Conselho de Governadores em Bratislava. Jörg Asmussen, o alemão que foi  nomeado por Angela Merkel, esteve na quarta-feira em Londres, onde claramente lembrou o que todos  os economistas sabem: uma queda nas taxas não resolveria o problema fundamental das economias periféricas: o acesso ao crédito das PME.. Se, nesses países, os bancos não emprestam, é devido ao risco dos  seus balanços, não aos seus custos de refinanciamento junto do  BCE. Mas o mais importante, foi que Jörg Asmussen  insistiu no facto de que “uma diminuição da taxa  atenuaria de uma forma inédita    as condições de financiamento das economias centrais na  zona euro. “Isso não é em si um problema, mas taxas demasiado baixas   durante muito tempo  podem  acabar por levar  a desequilíbrios.” O membro alemão da Comissão Executiva do BCE lembra, portanto, como pode ser perigoso para a economia alemã as taxas muito mais baixas.

Temores de uma bolha imobiliária na Alemanha

O principal medo dos alemães é o de uma bolha imobiliária. As rendas e os preços dos imóveis começaram nos últimos meses a subir drasticamente nas principais cidades alemãs. As taxas baixas  num período de crescimento relativo e a busca por segurança no contexto da crise Europeia alimenta  esse  mesmo  aumento. Obviamente, uma nova baixa das taxas impulsionaria  um pouco mais este mercado o que poderia levar a uma bolha. Em qualquer caso,  este é o medo dos alemães. Esse medo é ele justificado? Nada é menos certo. As  pesquisas mais recentes sobre o clima de negócios na Alemanha  tem-se degradado . De acordo com os economistas do Natixis, agora há um “verdadeiro risco negativo  quanto ao  crescimento alemão.”  Em suma, uma diminuição das taxas poderia servir à  primeira economia europeia. Mas  em plena   campanha eleitoral, a  Chanceler pretende apresentar-se como a garante da política da “estabilidade” na Europa, sublinhando os riscos inflacionistas mas que são actualmente insignificantes.

A decisão do BCE decidirá sobre a sua independência.

Será muito interessante observar se as declarações  de  Jörg Asmussen significam que o BCE tem recebido e ouvido a mensagem vinda de Berlim. E, neste caso, temos de tirar as conclusões  sobre   a independência perdida  da instituição de Frankfurt. Será então  picante observar   que a “politização” do BCE intervém através da   insistência da Alemanha, país  que sempre reivindicou ser o garante da independência dos bancos centrais. A decisão de 2  de Maio sobre as taxas deve, portanto,  ser  observada  sob  este ponto de vista.

La Tribune, La BCE envisage de baisser les taux, Angela Merkel préfèrerait qu’elle les remonte, disponível em : www.latribune.fr/..

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