O QUE IMPORTA O NOME DA ROSA? – ( a rose by any other name would smell as sweet – l’important c’est la rose) – por Carlos Loures

Este texto, agora com pequenas alterações,  foi publicado no Estrolabio em 7 de Junho de 2011

Para quem aspira a uma democracia plena, o cenário da vida da «nossa democracia», não podia ser mais desolador. Quando o ar está abafado dentro de casa, abre-se a janela e aspira-se ar puro. Porém, abrindo a janela, olhando globalmente o planeta, o ar é mais sufocante e o panorama é ainda mais assustador. Como num pesadelo ou num quadro de Dalí, num labirinto soturno, seres humanos sonâmbulos, errantes, incaracterísticos, vagueiam, enquanto um animal mutante e híbrido os persegue, devora e logo os regurgita devidamente educados, transformados em humanóides-socializados, em membros indiferenciados de uma gigantesca colmeia com milhares de milhões de corações, pulsando ao mesmo ritmo. Um a um, os seres vão sendo agarrados. Mas não fogem, oferecem-se aos dentes da fera com a indiferença de quem nada quer fazer para o evitar. Porque ser devorados e regurgitados, convertidos em peças da máquina global, parece ser o principal objectivo das suas vidas. E chamam a essa transmutação perversa «originalidade»!

Herbert Marcuse (1898-1979), o filósofo norte-americano de origem alemã, um dos mais importantes pensadores da Escola de Francoforte, explica-nos como o sistema, através de um marketing sofisticado, e utilizando os seus dispositivos de controlo, consegue que o «homem-unidemensional» assuma como seus os objectivos do sistema e como suas as necessidades do sistema (confundindo as formas de satisfação socialmente exigidas com as formas de satisfação genuinamente individuais – formas que, numa sociedade saudável, deveriam estar em dialéctico conflito). «Deste modo», conclui Marcuse, «a sociedade estabelecida assenta nos próprios pensamentos, nos próprios sentimentos e inclusivamente nos próprios corpos da maioria dos indivíduos».

Seria interessante que alguém estudasse a intertextualidade entre os conceitos de homem-massa, de Ortega y Gasset (a que já aqui aludi en passant) e o de homem unidimensional, de Marcuse. Ambos se parecem referir ao homem resultante da sociedade industrial – embora os modelos de um e de outro possam estar separados por duas ou três décadas e, portanto, algo desfasados. O pressuposto de Engels, segundo o qual é a vida que determina a consciência e não o contrário, é claramente assumido por Marcuse. A sociedade unidimensional, orientada pelo marketing, a sociedade de consumo como mais habitualmente dizemos, impõe um padrão de vida, esse padrão arrasta consigo uma ideologia de vida e essa ideologia molda a consciência do homem. Resulta no homem unidimensional.

Todos sabemos como, por exemplo, os adolescentes, na sua ânsia de se afirmarem como seres únicos e diferenciados, adoptam os hábitos da maioria com a insolência e a agressividade de quem está a inovar. Cabelos compridos, ou curtos, saias idem, piercings, tatuagens – coisas vulgares e vulgarizadas, massificadas – são usadas pelos jovens com a sensação de que estão a participar numa revolução. Como as variáveis não são muitas, a novidade de hoje pode ter sido a velharia de há oitenta anos e vice-versa Na realidade não chocam ninguém, não revolucionam nada – enriquecem os velhos das multinacionais que lhes impingem a tralha com que se ataviam e fazem a vida negra aos pais.

Refiro o exemplo dos adolescentes porque neles é mais visível o alinhamento numa massificação de usos, roupas, músicas, com essa falsíssima sensação de corajosa originalidade.

Na realidade, nos adultos, a massificação é semelhante, embora não tão evidente. Porque o adulto vai tendo tempo para cultivar uma capa de personalidade única e invulgar, sob a qual esconde a sua massificada vulgaridade. As modas que os jovens e os menos jovens adoptam com a convicção de que estão a definir uma personalidade única, são estudadas meticulosamente por gabinetes de marketing. O mercado é dividido em grupos-alvo, segmentados sócio-demograficamente, em classes, segundo o sexo e a faixa etária, considerando o habitat, se urbano, se rural. Nós a levarmos uma vida cultivando o mito de que temos uma personalidade única e irrepetível e os sacanas dos copywriters e dos accounts a arrumarem-nos em meia-dúzia de categorias, a espetarem-nos no peito, como insectos no álbum de um entomólogo, um alfinete com um rótulo do género – Mulher, 43 anos, classe C1, habitat urbano. Tal como os adolescentes que, com a ideia estulta de que estão a ser rebeldes, estão a proceder como mansos cordeirinhos, os adultos compram os carros (escolhendo quase todos a mesma cor – desde há anos o cinzento metalizado), as roupas, os dentífricos, que o marketing lhes dita, sempre com a ilusão de que são uns gajos cheios de personalidade. E tal como acontece com as roupas e carros, as ideias políticas também são postas ao dispor dos «cidadãos – eleitores» já pensadas. Como se comer comida mastigada por outros fosse uma vantagem. Toda a gente protesta, mas depois, no momento de votar, uma larga maioria vota num dos dois partidos do poder.

Falemos de nomenclatura. Que raio de nome havemos de dar a isto que tenho estado para aqui a defender? Temos de ir um pouco atrás. Quando critico os partidos do chamado «bloco central», faço-o tendo em conta as diferenças de índole programática entre os dois. O PS cada vez é menos socialista e não chega sequer a ser social-democrata. Quanto ao PSD, menos do que neo-liberal, não sei no que estava aquela gente a pensar quando crismou o PPD (embora os termos «popular» e «democrático» constituíssem já um monumental embuste). Agora, Partido Social-Democrata? Então ninguém, naquela casa sabe o que é a Social-Democracia? Nem Pacheco Pereira?  O Partido de Lenine era o Partido Social-Democrata Russo, inspirava-se em Marx e em Engels, e esteve na génese do PCUS. Social-Democracia ou Democracia-Social é a antítese da «democracia» neo-liberal. Mas enfim, a demagogia conduz a estes «equívocos». O Partido Socialista, parecia não se ter equivocado no nome, pois provém da Acção Socialista Portuguesa, constituída na sua maioria por gente formada na «cantera» (acho graça a este estúpido termo futeboleiro) do Partido Comunista. Era mesmo socialista que eles queriam dizer. Apenas porque dizer e fazer são coisas diferentes. Nem para todos, claro, houve e há socialistas honestos e que procuram ser coerentes com os seus ideais.

No fundo, o que era preciso era realinhar as pessoas em novos partidos, digo eu e os que gostavam de ver a situação clarificada. Seria necessário um deus ex machina que viesse pôr-nos o leque político na ordem, como quem ordena uma mão antes da partida de bisca ou de sueca. Porém, embora para os políticos, esta simulação de luta ideológica seja útil, bem como a maioria dos seus mais destacados seguidores, deveriam estar todos no mesmo partido. São a mesma gente ambiciosa de poder e sem ideologia definida.

A questão central deste texto – a da ideologia que os media e o mercado impõem, através da televisão e da imprensa, ao homem comum, «unidimensional» ou «massa»  que  paga para ver o espectáculo e não para nele participar. Por isso, voltemos a Herbert Marcuse – há um opúsculo com um discurso que ele fez em Março de 1969 no aeroporto de Vancouver. De notar que as autoridades canadianas o tinham intimado, à sua chegada, na véspera a abandonar o país no dia seguinte – democracia, sim, mas devagar – Por isso ele fez uma palestra para estudantes que foram ao aeroporto. «Exigir o Impossível» foi o título dado ao livrinho onde a palestra foi registada. Título que retirou de um graffiti nas paredes da Sorbonne, no escaldante Maio do ano anterior: «Sejamos realistas, exijamos o impossível!» Porque só exigindo o impossível, sendo radicais (ou seja, indo à raiz dos problemas) é que podemos contrariar a manipulação que é feita às consciências de milhares de milhões de pessoas. Já não falo de socialismo, pois o termo está conspurcado pelas experiências históricas que conhecemos e por partidos bastardos como o nosso PS. Nem faz sentido invocar Marx.

Devemos sempre exigir o impossível. E o impossível é ser dado a cada pessoa, apenas por ter nascido, aquilo a que tem direito, prover as suas necessidades físicas e intelectuais. Redesenhar a sociedade e construir um modelo voltado para as necessidades da família humana e não para a usura, para a ganância do lucro a todo o custo. Montar os dispositivos que permitam distribuir a riqueza existente de forma racional, dando a cada um a sua parte (porque não estamos a falar de a cada um segundo as suas capacidades ou segundo as suas necessidades – ou mesmo de acordo com a suas rapacidades. As necessidades são iguais – alimentação, vestuário e tratamento na doença. As outras necessidades, as de carácter intelectual – a educação, a cultura, a informação – podem ser satisfeitos de forma maciça, através das novas tecnologias, as que existem e as que vão existir. Tendo sempre em consideração a grande diversidade de opções que neste campo os seres humanos manifestam.

E podem pôr a este sistema, subversivo da ordem estabelecida, o nome que quiserem – socialismo, comunismo, cristianismo, anarquismo, o que queiram – até podem chamar-lhe social-democracia. Percebem onde queria chegar com o título trilingue: O que importa o nome da rosa? – a rose by any other name would smell as sweet – l’important c’est la rose.

7 Comments

  1. Meu Amigo,
    Só posso felicitar-te pelo teu texto que advogo como excelente e pleno de oportunidade.
    Como necessário tenho muito gosto em acompanhar-te inclusive gostar de ser colaborador num debate – excluídos os simples simpatizantes de qualquer partido – que, a ti, de agora em diante, no uso da tua maior paciência, cabe organizares. Mais que escrever – o que é imensamente saudável – é preciso fazer.
    Às tuas afirmações só tenho de dizer que os partidos em curso, com mais ou menos bandidos, já não merecem ser admoestados nem, muito menos, aconselhados a reverem-se. Burro velho não aprende línguas!
    Bastava que ninguém fosse autorizado a candidatar-se, ao que quer que fosse, invocando a obediência, ou a mera aceitação, duma qualquer sigla partidária Se todo o cidadão é eleitor tem, também, o direito de ser eleito e para tanto é inaceitável que tenha de fazê-lo sob a intermediação duma chancela partidária. Então,porque não, dirias tu, pelo SLB que,conhecido em todo o mundo, tem muitos mais adeptos!!!
    Se os partidos políticos são um dos direitos democráticos da livre associação dos cidadãos e, por isso, impossíveis duma qualquer alienação,isso não pode significar atribuir-se-lhes o privilégio – que outro nome dar-se – de terem, como monopólio, o direito de entrepor-se entre a população e o Estado. É mais uma das nossas aberrações constitucionais cujas, bem vistas as coisas – quem as fez sabia advinhar o futuro – são uns instrumentos muito apropriados para a fabricação contínua e desapiedada da unidimensão humana

    1. Muito obrigado pelas tuas palavras amigas. Tentei, por mais de uma vez, desencadear um debate sobre a nossa democracia, sobre aquilo a que chamamos democracia, entenda-se, e sobre o rumo que poderíamos tomar. Houve excelentes contributos – sobretudo na área do diagnóstico. Mas as pessoas estão muito agarradas a este modelo e situam a doença nos intérpretes e não no sistema. Ora, parece-me óbvio que o sistema, a suposta representatividade dos políticos que elegemos, constitui uma perversão do ideal democrático. Logo que eleitos (como já dizia Jean-Jacques Rousseau) os políticos, deputados, ministros…, esquecem os eleitores e aquilo que lhes prometeram, e passam a obedecer à estratégia do seu partido. Mesmo que fosse gente séria, o sistema obriga-os a uma praxis desonesta. Na minha opinião, partidos, centrais sindicais, sindicatos, são formas de luta do século XIX e estão profundamente desajustados da realidade que vivemos. Derrubou-se o Sócrates e muito bem<, mas elegeu-se o Passos Coelho, com os resultados que se sabe. Agora vai cair o Passos e subir o Seguro. E imediatamente se começa a pedir a queda do Seguro. Por detrás desta cortina de fumo, os verdadeiros senhores – banqueiros, grandes empresários, mantêm-se e não são sujeitos a qualquer escrutíneo. Meu Caro Leça da Veiga, terei muito prazer em organizar outro debate e sei que o João Machado me acompanhará nessa iniciativa. Contamos com a tua ajuda.

  2. A limitação de candidaturas a cidadãos inscritos em partidos é, de facto, uma aberração. Mas, quanto ao resto… “´l’important c’est la rose”…
    Chamem-lhes o que quiserem… Nas actuais circunstâncias (reais, não ficcionadas ou sonhadas), qualquer organização de cidadãos, a partir do momento em que se propõe intervir na luta política (isto é, no combate democrático para que seja o seu “projecto” – que há-de ter algum! – e não outro a ser eleito para governar o país), passa a deslizar para as mesmas vias já trilhadas por partidos, sindicatos e o mais que queiram “do século XIX”; e, conseguida uma parcela de apoio que lhe possibilite a intervenção (a História não nos conta nada de tranquilizador sobre “movimentos” que obtêm um apressado apoio popular para se alcandorarem, vertiginosamente, ao poder…), os problemas decorrentes do modo como os diferentes indivíduos avaliam a “inquestionável” superioridade da “sua versão” do projecto catalisam a irrupção de desvios similares aos que, hipoteticamente, se pretendia superar…
    Grande parte das reflexões apresentadas no artigo e no comentário merecem o meu apoio. Algumas conclusões é que me parecem mais uma “aspiração” que o resultado das mesmas reflexões.
    Não tenho grande jeito (ou, talvez, paciência…) para teorizar, fazer coisa com princípio, meio e fim, que se proponha resolver problemas para os quais séculos de actividade de notabilíssimos pensadores não encontraram solução que a prática validasse. Disso me penitencio, mas sem grande estardalhaço de cilícios, que cada um é como é… E, decididamente, tenho consciência das minhas limitações.
    Creio, no entanto, que sucessivas desilusões me levaram a esboçar um embrião de teoria, eventualmente já desenvolvida por outros, melhores e mais inteligentes, que eu não tenha lido. Fui conduzido à conclusão de que o grande problema decorre da própria natureza do ser humano, resultante de uma “evolução natural”, onde mutações genéticas puramente casuais foram originando espécies sucessivamente mais “aperfeiçoadas” e cada vez mais complexas, das quais acabaram por prevalecer as que, como bem concluiu Darwin, melhor se adaptaram ao seu “meio”. Ora, nada, neste percurso, aponta para que essa adaptação corresponda ás “boas características” que, a prevalecerem, conduziriam a que cada indivíduo fosse íntegro, solidário, corajoso, idealista e não, simplesmente, o que nos habituámos a designar pela expressão idiomática “um filho da puta”.
    Retornando a uma terminologia mais “elevada e científica”, diria que, por herança evolutiva, o “homo sapiens sapiens” (nomenclatura assaz inadequada) é um “predador”: preocupado, antes de mais, em sobreviver e propagar os seus genes – e, com a “socialização”, os bens que acumulou e que passaram a fazer parte do seu instinto de predador; desconfiado da “concorrência” dos seus semelhantes e sempre pronto para aniquilá-la. Tudo o que melhore esta caracterização é consequência de um percurso civilizacional que foi tentando atenuar, com o arrojo do pensamento e de um aperfeiçoamento conceptual que já se situa noutro plano, a “lama primacial” de que o Homem é, sem divina intervenção, feito.
    Daí que as ideologias neo-liberais tenham tanta facilidade em singrar, numa “humanidade” onde vencem, sistematicamente, os que melhor se “adaptam”: os que não têm escrúpulos nem “estados de alma”, que não se comovem minimamente com as consequências dos seus actos sobre os outros “mais fracos” (debilitados por graves defeitos genéticos, como a solidariedade, a insistência em compreender e mudar as sociedades, imperativos de consciência, honestidade, inteireza…)
    É sobre estas premissas que, em minha opinião, temos de construir algo que, através da formação de cada ser humano em sociedade, permita transformar a maioria dos indivíduos em cidadãos verdadeiramente civilizados, “contra” uma boa porção do que trazem inscrito no código genético. Entre outros, um tal Jesus de Nazaré tentou, invocando uma revelação divina que reforçasse a sua mensagem de simplicidade e paz… e deu no que deu! Também um tal Marx apresentou propostas notáveis, muito bem fundamentadas e com previsões do futuro que permanecem ainda tão actuais (em particular, no campo da economia) que até parece que o “profeta” era ele e não o anterior “bem intencionado”: acreditou ele que a tal “formação”, dramaticamente alterada na sua estrutura e na materialidade dos seus exemplos, originasse um “homem novo”… o que, afinal, independentemente de um conjunto limitado de realizações notáveis mas efémeras, acabou por resultar no aparecimento de uma enorme quantidade de mafiosos exportáveis…
    Há-de haver novas formas de intervenção que aperfeiçoem a participação de cada indivíduo na construção do “bem colectivo”, novas formas de organização que complementem outras? Idiota seria duvidar disso, pela simples razão de que nada do que existe no Universo, casualmente produzido pela Natureza ou consequência da intervenção do Homem, é imutável.
    Seja como for, como são alguns homens que adulteram os conceitos que os melhores deles foram definindo e não os próprios conceitos – quando ajustados a definirem as sociedades e os que nelas se movem – que se deterioram, considero um mau começo o uso (justamente) depreciativo do termo “políticos” com uma (inadequada) abrangência excessiva e algo descuidada, bem como qualquer ilusão, com traços de ingenuidade da “contra-cultura anos 60”, que anseia inventar algo de radicalmente novo como se o passado não existisse ou fosse desconhecido, como se fosse possível razoar sobre o nulo.
    Políticos devemos ser todos, nenhum cidadão podendo considerar-se como tal se não participar na organização e na evolução da “polis”.
    E ao caos inicial e “impoluto” ninguém consegue regressar.

  3. Apreciei imenso o seu texto e também os comentários que já suscitou.
    Fico com a ideia que o labirinto se adensa e que não há como derrubar as barreiras. É pelo facto de sermos naturalmente predadores que nos devemos contrlolar uns aos outros!

    1. A um comentário como o do Paulo Rato, um pouco mais pequeno do que a Bíblia, mas mais extenso do que o meu texto, responderei em artigo autónomo. Ao Fernando Mendes, agradeço a sua apreciação. Concordo que a fúria predatória da nossa espécie deve ser controlada. O que acontece é que desde que há registos, aquilo a que chamamos História, são sempre os mesmos a controlar e também os mesmos a ser controlados. Sem querer incorrer nos maniqueísmos antropomórficos que os zoólogos tanto abominam (e com razão), mas usando uma metáfora simples, diria que o rebanho de ovelhas é controlado e «protegido» por uma matilha de lobos.

  4. Ó Carlos! Andas a manipular descaradamente os nossos blogonautas: o meu comentário tem só 872 palavras e 4860 caracteres (coitadito!); o teu texto tem 1476 palavras e 7724 caracteres. O algodão… quédezer… o contador do Office não engana!
    Quanto à “fúria predatória”, não diria que temos de a controlar (impossível missão), mas estudar as estratégias possíveis para que os predadores percebam que a sua fúria, levando à destruição das sociedades, se saldará pela sua própria morte por inanição. O que não consigo profetizar é se a “inteligência média” da espécie se desenvolverá o suficiente para que, alcançando uma maioria decisiva dos predadores, estes ainda vão a tempo de o perceber – se nem percebem que estão a dar cabo da natureza que os sustenta…
    A metáfora dos lobos e das ovelhas é também mais complexa do que parece: há as ovelhas que conseguem transformar-se em lobos (e passam a fazer parte dos piores da alcateia), as que trabalham estupidamente para os lobos (executando, mesmo, as tarefas mais cansativas ou desagradáveis para os seus “capi-lobos””), um ou outro lobo mais inteligente – o lobo ronhoso – que se passa para o lado do rebanho, e umas tantas criaturas que – não vá o diabo tecê-las! – vão mudando de pele, de acordo com o sentido do vento que sopra pelos prados. E até entre os cães de guarda, há os que cumprem a sua missão até ao fim, com lealdade e coragem e os que retornam à matilha primordial… Enfim, não é mesmo nada fácil estabilizar um núcleo de conhecimentos sócio-antropológicos que se revele de efectiva utilidade!

    1. Então já não se pode brincar que não venhas com estatísticas? Esqueceste-te de dizer quantes caracteres e quantas palavras tem a Bíblia – para facilitar, pode ser a que dispensa os livros deuterocanónicos… Vou responder em breve, ao teu «pequeníssimo» comentário. Abraço.

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