Parece que o FMI vai sair cá para fora com uma declaração em que reconhece ter cometido erros graves na forma como foi conduzida a prestação de auxílio à Grécia nos últimos anos. Pelos links abaixo indicados, do Público e do Esquerda.Net, obtém-se alguma visão sobre o assunto. A fonte terá sido o insuspeito (enfim, num certo sentido!) The Wall Street Journal). Nomeadamente, o controverso organismo preparar-se-á para admitir o erro que foram as políticas de austeridade, e que furou as suas próprias regras na actuação que desenvolveu.
Esta já não é a primeira vez que vêm a público notícias sobre erros cometidos pelo FMI. Já no início deste ano, Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, tinha reconhecido que os efeitos dos cortes da despesa pública sobre a economia em geral eram muito superiores aos estimados no início da crise. Falou-se então de erros de cálculo, mas acabava-se com declarações sobre os méritos da austeridade, tentando compor o ramalhete. Contudo, agora espera-se uma tomada de posição a nível do próprio organismo, e com referência às influências dos credores da Grécia (entre os quais se destacam os bancos alemães) sobre o postergar da reestruturação da dívida externa do País.
Nós podemos sem audácia excessiva acrescentar outras questões, como a de o estado ter assumido o encargo de pagar dívidas privadas, transformando dívida privada em dívida pública, e lançando os responsáveis governamentais o peso dos excessos e dos erros de alguns sobre todos os nacionais de um país. Como se chegou a aí? Há sem dúvida muitas razões, mas uma sobressai: o mau trabalho dos organismos que superintendem em toda esta trama em que estamos presos. O FMI, guardião do rigor e das contas certas, papão dos povos, a quem os chefes chamam quando querem apertar o cinto (o nosso, não o deles), organismo dirigido por uns senhores (agora é uma senhora, desculpem) vagamente nomeadamente pelos governos, que vive longe do escrutínio dos povos, comete asneiras deste tamanho, e agora? Vamos despedi-los?


Bravo! João Machado deve continuar suas denúncias dessas aberrações econômicas do infeliz sistema financista e mercadológico em que estamos – todos, o mundo inteiro! – atolados.
Rachel Gutiérrea
Rachel Gutiérrez, muito obrigado pelo seu comentário, muito encorajador, um grande estímulo para o nosso trabalho. E que tem de continuar com cada vez mais força, porque a situação está muito difícil.