REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Basta de se estar a sangrar os países da Europa do Sul!

 Nicolas Dupont-Aignan

Texto disponibilizado por Philippe Murer
Membre du bureau du Forum Démocratique
Président de l’association Manifeste pour un Débat sur le libre échange

Desde há já mais de dois anos que,  por todos os  economistas e de todos os quadrantes políticos e de todas as correntes de pensamento, ou mesmo pelos trabalhos apresentados neste blog, têm sido mostrados , explicados. os perigos de políticas de austeridade.  Infelizmente, a Espanha, Portugal e a Grécia continuam a aplicar políticas suicidas, como até mesmo a revista The Economist o reconhece, na sequência da posição assumida pelo FMI …

A austeridade selvagem, isso não funciona, não resulta

Slowly down

Como é evidente, os conhecidos estragos das políticas de austeridade sobre o desemprego (que triplicou, 7/8% em 2008 na Espanha e na Grécia, para cerca de 25% hoje), ou em termos de poder de compra e da segurança social. Estas consequências já deveriam, por si sós, fazer reflectir os Átila da austeridade ( de que alguns até se dizem “socialistas” – sic) e fazê-los reflectir sobre o custo social imenso de austeridade que provoca milhões de verdadeiras tragédias humanas.

Além disso, estas políticas não são mesmo nada eficazes para alcançar o que tomam como seu objectivo principal, nomeadamente a redução do défice orçamental. Na verdade, se observarmos a evolução dos défices de 2009-2012, descobrimos que eles caíram em 4 pontos percentuais do PIB nos Estados Unidos (de 11,6 para 7,6%), em 4,2 pontos Portugal (de 10,2 para 6%) e em 4,5 pontos em Espanha (de 11,2 para 6,7%), números comparáveis, e tanto mais que as estimativas tendem a ser revistas à alta para os dois últimos (a OCDE previa 4,6 e 5,4% em Junho) e previa também, mas à baixa a estimativa para o primeiro (previsão de 8,3% em Junho).

Em suma, os Estados Unidos obtêm a mesma redução no seu défice orçamental que a Espanha e Portugal, evitando, ao nível federal, os cortes massivos na redução das despesas ou no aumento punitivo dos impostos simplesmente porque assim mantém o crescimento. Em vez disso, as políticas monstruosas postas em prática na Europa, mergulhando a economia na recessão, anulando a maior parte dos efeitos que desejam ter. Toda gente fica a perder!

Para quando a mudança?

Mais chocante é que este resultado era perfeitamente previsível. Paul Krugman, no seu seu último livro, lembra que ele tinha avisado logo no início de 2009 os Estados Unidos, de que seria necessário mais flexibilidade fiscal. Ele e Joseph Stiglitz, nunca deixaram de avisar a Europa que esta se estava a meter num beco sem saída. Jacques Sapir e outros, também denunciaram estas políticas dignas de Laval ou do chanceler Brüning . Na França, Nicolas Dupont-Aignan descreve perfeitamente o que está a acontecer desde Maio de 2010.

E esta austeridade selvagem também tem o dom bem especial de provocar o disparar da dívida muito maior em países que praticam estas políticas de austeridade, pois além do facto de não serem capazes de reduzir os défices mais rapidamente  do que os países que adoptam uma atitude mais pragmática ( tanto mais porque eles são auxiliados pela monetarização de parte de sua dívida pelo seu Banco Central) a baixa do seu PIB faz ainda explodir os rácios das suas dívidas ainda mais rapidamente do que para os países que não levam a cabo estas políticas …

A análise do rácio da dívida a partir de 2008 a 2012 , na verdade mostra que a dívida dos EUA aumentou de 76% para 109% do PIB, um aumento de 33 pontos, aumentou 40 pontos em Espanha (de 48 para 88% do PIB) e de 44 pontos em Portugal (de 80 a 124% do PIB). E ainda, (a partir de Junho) as estatísticas da OCDE não tomam ainda conta o agravamento da situação na Península Ibérica ou mesmo a ligeira melhoria que está a surgir nos Estados Unidos, o que vai aumentar ainda mais esta diferença.

Sim, as políticas de austeridade, nas palavras de Paul Krugman, são uma loucura humana. Uma loucura porque elas ignoram totalmente as consequências sociais dramáticas que elas provocam, ao mesmo tempo em que nem sequer conseguem atingir os seus objectivos.

Nicolas Dupont-Aignan, texto disponível em:
http://www.gaullistelibre.com/2012/10/halte-la-saignee-de-leurope-du-sud.html

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