É MAIS FÁCIL DESCORTINAR O INIMIGO QUANDO É EXTERNO E BEM VISÍVEL – SERÁ QUE “A LIBERDADE NOS OUVE”? por clara castilho

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A situação que estamos vivendo fez-me recordar a canção francesa “Le Chant des partisans” que já conta 70 anos. Símbolo da resistência francesa na segunda guerra mundial, escrita em Londres em 1943, tornou-se o indicativo da emissão da BBC, sinal de reconhecimento entre resistentes, cantada nas prisões e pelos que enfrentavam os pelotões de fuzilamento.

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 Escrito por uma refugiada russa em Paris, que foi viver para Londres, Anna Marly, inspirada pela batalha de Smolensk. Ela contou:  “Os alemães encontraram uma feroz resistência quando se aproximaram dessa cidade. A palavra “partisans” aparecia no artigo que descrevia o acontecimento. Era como se algo tivesse surgido do além… Peguei na minha guitarra e comecei”. Ouvida pelo famoso jornalista e escritor Joseph Kessel que escreveu a letra com seu sobrinho Maurice Druou. Já foi cantado por inúmeros cantores. Uma das mais célebres é a de Yves Montand.

Pois, quando o inimigo está dentro, age insidiosamente e a vida aparentemente segue sem turbulência, é mais difícil sentir esta necessidade de união, de avançar e substituir quem cai na luta. Mas, noutros países não estaremos tão longe disto. Cada época se caracteriza por circunstâncias específicas que se podem ou não repetir. Mas uma coisa é certa: é nossa obrigação aprender com as experiências passadas, não repetir os mesmos erros e não ter medo do futuro.

 

Le Chant des Partisans – Maurice Druon/Joseph Kessel/Anna Marly

Anna Marly avec les Choeurs de l’Armée Française – (original audio)

 

Amigo, ouves o voo negro dos corvos que sobrevoam as nossas planícies?
Amigo, ouves os gritos surdos do país que acorrentam?
Oh resistentes, operários e camponeses, ouvi o alarme!
Esta noite o inimigo conhecerá o preço do sangue e das lágrimas !       

 

Subam das minas, desçam das colinas, camaradas!
Tirem dos fardos de palha,  as espingardas, as munições e as  granadas
Ide, lutai, com balas e com facas, matai depressa!
Sabotador, cuidado com o teu fardo de dinamite…

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Somos nós que quebramos para os nossos irmãos as barras das prisões,
o ódio que nos persegue, a fome que nos empurra, a miséria …
Há países onde na cama as pessoas sonham;
Aqui, nós, vê-lá tu, nós marchamos e matamos, nós morremos.    

Aqui,  cada um sabe o que quer, o que faz ao passar …
Amigo se tu caíres, outro amigo sai da sombra e toma o teu lugar.
Amanhã o sangue negro secará ao sol nas estradas
Cantai, companheiros, na noite, a liberdade ouve-nos.

 

Deixo duas versões, à escolha.


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