Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Beber o cálice da austeridade até ao fim
Céline Antonin, Christophe Blot et Danielle Schweisguth
Este texto resume as previsões de OFCE de Abril de 2013- 24 Abril de 2013
Céline Antonin, Christophe Blot e Danielle Schweisguth
A situação macroeconómica e social da zona do euro continua a ser uma enorme preocupação. O ano de 2012 foi marcado por uma queda ainda maior do PIB (-0,5%) e continua a aumentar a taxa de desemprego que atingiu já 11,8% em Dezembro. Se a dimensão desta nova recessão não é comparável com a de 2009, ela no entanto, está a sê-lo pelo menos até ao momento, já que, no último trimestre de 2012, o PIB declinou pela quinta vez consecutiva. Mais importante ainda, para alguns países (Espanha, Grécia e Portugal) esta recessão prolongada marca o início de deflação que poderá rapidamente espalhar-se para outros países da zona do euro. Finalmente, esse desempenho é a demonstração de um fracasso da estratégia macroeconómica posta em prática na zona euro desde 2011. A consolidação orçamental amplificada em 2012 não trouxe a confiança dos mercados; as taxas de juros não diminuíram excepto a partir do momento quando o risco de desmembramento da área do euro foi atenuado graças a ratificação do (Tratado de estabilidade, de coordenação e de governança) TSCG e ao anúncio da nova operação OMT do BCE permitindo ao banco central intervir nos mercados sobre a dívida soberana. Até agora, não há nenhum questionamento do dogma orçamental se bem que os países da zona euro o vão continuar a praticar em 2013, e se necessário, em 2014, na sua marcha forçada para reduzir o seu défice orçamental e atingir o limiar simbólico de 3% logo que possível. O martelamento dos media franceses sobre a vontade da França em manter este compromisso é um reflexo da estratégia e da sua absurdidade.
Assim, enquanto o cálice não for bebido até à última gota , os países da zona euro parecem estar condenados a uma estratégia que se traduz pela recessão, pelo desemprego, pelo desespero social e pelo risco de ruptura política. Esta situação representa uma ameaça bem maior para a sobrevivência da zona euro do que a falta de credibilidade orçamental de qualquer Estado-membro. Em 2013 e 2014, o impulso orçamental da zona do euro será novamente negativo (respectivamente de (-1,1 %) e de (-0,6 %)), o que levará a restrição acumulada a 4,7% do PIB desde 2011. À medida que os países reduzirem o seu défice orçamental para menos de 3%, eles poderão diminuir o ritmo de consolidação (ver tabela). A Alemanha, já em equilíbrio das finanças públicas, se deixar de fazer nos dois próximos anos esforços de consolidação, a França irá manter a esperança de chegar aos 3% em 2014. Para a Espanha, Portugal e para a Grécia, o esforço será menor do que o que está a ser feito, mas vai continuar a pesar significativamente nos níveis de actividade e de emprego, tanto mais que os impulsos passados continuarão a ser importantes.
Neste contexto, a continuação da recessão é inevitável. O PIB deverá diminuir 0,4% em 2013. Espera-se que o desemprego venha a bater recordes. O regresso ao crescimento não é esperado antes de 2014; mas mesmo em 2014, na ausência de inflexão do dogma orçamental, as esperanças podem novamente correr o risco de se transformarem em decepções na medida em que o crescimento esperado à taxa de 0,9%, será claramente insuficiente para dar início a uma redução significativa do desemprego. Além disso, este retorno ao crescimento será tardio demais e não será capaz de poder apagar o exorbitante custo social de uma estratégia de que se discutiram mal e muito tardiamente as alternativas.

