Mal tinha acabado de ouvir a comunicação que o cavalheiro de Boliqueime quis dirigir ao País para, de imediato, concluir que as eleições pedidas pelas oposições devem sê-lo, com prioridade absoluta – afinal havia outra – para eleger alguém que substitua o jocoso circense. Quem se julga ele para dar aula ao País sabido como é, nunca ter-lhe sido dada qualquer autoridade científica, política e ética para ensinar o que quer que fosse. Há muitos anos, na Figueira da Foz, as conveniências politiqueiras fizeram dele “um verbo de encher” para, à época, conseguirem uma solução directiva meramente formal que, em seu favor, tinha, muito substancialmente, o seu perfil salazarento, um aspecto muito apreciado na área chamada social-democrata.
O cavalheiro mostrou com uma claridade muito evidente que, em Portugal, é o guardião feroz da submissão indiscutível à vontade da troika cuja intervenção, na vida íntima dos portugueses, jamais, mereceu ter um reparo de reprovação, modesto que fosse. Gastou bastante tempo a anunciar que quem manda em Portugal está instalado nas finanças estrangeiras e que por cá só resta obedecer ás vontades do dono. Um “gauleiter” e, muito melhor que quantos Hitler teve.
Na sua intervenção, o pobre diabo deve ter-se julgado um discípulo do antigamente a, por fim, fazer o seu discurso da Sala do Risco e, com isso, a marcar o rumo certo ao País. Reconstituir uma “união nacional” à custa dos três partidos apadrinhados pela troika, parece ser uma tarefa em que está muito empenhado. .
Se teve o mérito de, sem dizê-lo, considerar a ineficiência e descrédito total do governo actual e, também, de exigir-lhe, para salvar-se, um acoplamento com os herdeiros do soarismo, não disse uma palavra – nem que fosse com a sua habitual hipocrisia – sobre as dificuldades dos portugueses, assoberbados com impostos excessivos e, também, com rendimentos e beneficias sociais em franca redução. De discurso em discurso, só tem mostrado quanta indiferença social tem-lhe merecido o mal-estar dos portugueses e a própria precariedade do futuro nacional.
Como diria um bom algarvio, de Cavaco já temos avonde.
Assim, a palavra de ordem tem de ser “Demissão de Cavaco” e “Eleições Presidenciais, Já”. CLV
