LIBERTADORES PRECISAM-SE! – A CANÇÃO “LOS LIBERTADORES” por clara castilho

9349741_b7nul3[1]Os tempos vão difíceis, o espanto que em nós provoca o que vai acontecendo, o ridículo dos acontecimentos, o receio do que virá a seguir… faz-nos lembrar outras situações, outras reacções. Outros poemas, outras músicas. E no dia em que Pablo Neruda nasceu (em que escrevi o texto – 12 de Julho), lembrei-me desta canção – “Los libertadores”.

É uma das 12 composições da Oratória do compositor Mikis Theodorakis, com textos de Pablo Neruda, para 12 poemas.

neruda

A sua história tem a ver com o percurso pessoal dos dois autores. Theodorakis, considerado o renovador da música grega contemporânea, é mais conhecido pela música do filme “Zorba” e pela música do filme “Estado de sítio de Costa Gravas. Devido às posições políticas que tomou no seu país, em ditadura, foi preso e enviado para o exílio. Indo até ao Chile, o Chile de Salvador Allende, conheceu a obra de Neruda, “Canto General”, publicada em 1943, que narra a epopeia dos defensores da terra americana e do povo indígena, obra é chamado por alguns “A Ilíada latino-americana”.

Depois do golpe de estado no Chile, Theodorakhis fez da sua Oratória uma arma de luta contra as ditaduras. Na Grécia livre, um concerto foi dedicado à memória de Allende, Neruda e a todos os que lutavam no Chile.

Los Libertadores

Aquí viene el árbol, el árbol

de la tormenta, el árbol del pueblo.

De la tierra suben sus héroes

como las hojas por la savia,

y el viento estrella los follajes

de muchedumbre rumorosa,

hasta que cae la semilla

del pan otra vez a la tierra.

 […]                        

Éste es el árbol, el árbol

del pueblo, de todos los pueblos

de la libertad, de la lucha.

Asómate a su cabellera:

toca sus rayos renovados:

hunde la mano en las usinas

donde su fruto pulpitante

propaga su luz cada día.

Levanta esta tierra en tus manos,

participa de este esplendor,

toma tu pan y tu manzana,

tu corazón y tu caballo

y monta guardia en la frontera,

en el límite de sus hojas.

Defiende el fin de sus corolas,

comparte las noches hostiles,

vigila el ciclo de la aurora,

respira la altura estrellada,

sosteniendo el árbol, el árbol

que crece en medio de la tierra.

 

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